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Quedas de energia deixam câmpus da Usfcar no escuro

Publicado em 29 abril 2012

O câmpus de Sorocaba da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar) tem permanecido no escuro por várias horas, em diversos dias da semana, desde o início deste ano. Quedas de energia se tornaram constantes na instituição de ensino e, com isso, os alunos passaram a se queixar das aulas perdidas e dos transtornos que eles enfrentam pela falta de luz. Além disso, a universidade tem contado prejuízos, pois alguns equipamentos utilizados em laboratórios se queimaram. O diretor do câmpus, Isaías Torres, confirma esses acontecimentos e informa que técnicos da Ufscar e da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) Piratininga estão analisando a rede elétrica do local, como forma de descobrir as causas dessas quedas de energia. Ele ainda ressalta que os estudos sobre o caso ainda não foram concluídos.

A estudante de pedagogia Pamela Soares Baldessini, 19 anos, se diz indignada com essas quedas de energia, já que muitas vezes as aulas são suspensas. "E ainda por cima, eu vou de van, então não tem como eu voltar na hora, pois preciso esperar todos da van resolverem ir embora também", conta. Segundo ela, desde o início das aulas deste semestre esse problema vem ocorrendo e ela acredita que tenha a ver com o aumento no número de alunos e laboratórios da universidade. "É a única hipótese que eu e meus amigos achamos que possa ser verdade, pois quase todos os dias acaba a luz", explica. A última vez que ocorreu uma queda de energia na Ufscar foi na terça-feira (24), quando os alunos ficaram mais de uma hora no escuro. "Daí, ou a gente tem aula no escuro ou vai embora."

Além de aulas normais, algumas provas também acabam sendo aplicadas na escuridão, como aconteceu com os alunos do primeiro ano do curso de Administração, na última segunda-feira (23). "A energia caiu quando a gente já estava fazendo a prova, portanto o professor resolveu continuar", relata o estudante Marcos Vinícius Lincoln Ramalho Paes, 18. De acordo com ele, as luzes produzidas pelos visores de celulares e lanternas foram usadas para auxiliar na hora de responder as questões do teste. "Eu acho isso complicado, pois até ajudou um pouco os alunos na hora de colar", evidencia. Muitos alunos também se pronunciaram sobre blecautes na internet e alguns até decidiram realizar protestos silenciosos, como levar velas até as salas de aula.
 
Pesquisas prejudicadas
 
Não são somente os alunos que estão sofrendo com esses apagões na Ufscar. Professores e pesquisadores também estão com seus trabalhos prejudicados, como informa Vadim Viviani, professor e pesquisador do Departamento de Física, Química e Matemática da universidade. "Agências financiadoras como CNPq e Fapesp investiram muitos recursos em equipamentos de laboratórios caros e insumos para a pesquisa. Estes recursos públicos estão sendo literalmente desperdiçados na medida em que experimentos científicos de pesquisadores e alunos são constantemente interrompidos", afirma.

Segundo ele, as oscilações de energia fizeram com que um freezer, que era utilizado para conservar culturas de células, enzimas, DNA e RNA, queimasse. "Somente em um dos laboratórios, já foram perdidos cerca de R$ 14 mil em reagentes perecíveis importados, como células e enzimas, e gastos R$ 16 mil para o conserto de equipamentos como centrífugas, freezers, agitadores de cultura, entre outros, além do prejuízo causado aos membros do laboratório com atrasos causados pela inviabilização dos equipamentos", revela. 

Causa desconhecida
 
A CPFL, por meio de sua assessoria de imprensa, diz desconhecer que tenham ocorrido apagões com grande duração na Ufscar e revela que somente registrou, nos últimos meses, algumas interrupções momentâneas, de até três minutos de duração, chamadas de "piscas". A empresa fornecedora de energia elétrica informa que essas interrupções são necessárias, para poder eliminar "defeitos transitórios na rede e evitar uma interrupção de energia de maior duração."

O diretor do câmpus de Sorocaba da Ufscar, Isaías Torres, explica que são exatamente esses "piscas" que fazem com que a universidade fique sem luz, já que depois que eles ocorrem, a cabine de energia elétrica do local se desliga e a demora para que uma equipe ligue novamente a energia faz com que a interrupção se prolongue. "A equipe, que era terceirizada, demorava quase uma hora para chegar até aqui, mas agora contratamos uma nova empresa e possuímos eletricistas locados no próprio câmpus."

Torres afirma que ainda não se sabe o motivo do desligamento da cabine, porém uma equipe de técnicos da Ufscar e da CPFL está analisando a rede do câmpus há algumas semanas, para poder resolver questão. "O nosso câmpus cresceu muito rápido e acho que isso pode ter influenciado, mas até agora não sabemos, efetivamente, qual é a causa das quedas de energia." Ele avisa que após o feriado, no dia 4, haverá uma reunião, em que as análises da rede elétrica feitas pelos técnicos serão expostas e discutidas.