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Ao Mestre com Carinho

Quebra-cabeça geológico

Publicado em 13 abril 2009

Agência FAPESP

Como peças num gigantesco quebra-cabeça, os continentes se separaram e se juntaram por diversas vezes na história terrestre, mas até hoje não se sabe quais mecanismos motivaram tais movimentos radicais.

Agora, um novo estudo apresenta evidência de que os continentes se partiram ao longo de "linhas de fraqueza preexistentes", criadas quando estiveram ligados a pequenas massas de terra. Os resultados da pesquisa, conduzida por cientistas europeus, mexicanos e norte-americanos, estão em artigo que ganhou a capa da revista Geology, da Sociedade Geológica Norte-Americana.

O estudo oferece uma explicação para os padrões de separação das placas continentais usando, como exemplo, a formação de um oceano há 500 milhões de anos.

"Tentamos responder por que os oceanos se abrem e os continentes se quebram em determinados lugares", conta um dos autores, Damian Nance, professor de ciências geológicas da Universidade de Ohio, nos Estados Unidos, em comunicado da instituição.

Nance explica que, durante a história da Terra, o quebra-cabeça continental experimentou seis grandes eventos, separados por intervalos de cerca de 500 milhões de anos. Segundo o pesquisador, atualmente o planeta está em meio a um ciclo de separação, no qual os oceanos Atlântico e Índico estão se abrindo.

Há 650 milhões de anos, Américas e África estavam agrupadas num gigantesco continente no hemisfério Sul conhecido como Gondwana, com pequenas ilhas flutuando nas proximidades. Com o tempo, essas ilhas colidiram com a massa continental, fundindo-se num processo chamado de acreção.

Aproximadamente 125 milhões de anos depois, a massa se partiu, com a América do Norte de um lado e, do outro, América do Sul, África e as pequenas ilhas. As duas placas se separaram formando o oceano Iapetus.

Mais 25 milhões de anos, época dos primeiros peixes, e as ilhas se transformaram em uma faixa de terra que se separou da América do Sul e da África, movendo-se pelo oceano em direção à América do Norte. A movimentação fechou o Iapetus e abriu outro oceano, o Rheic.

As duas quebras ocorreram ao longo de uma "linha de fraqueza", formada pelos pontos em que as ilhas se uniram ao continente. Como a estrutura interna do continente era menos estável nessas linhas, foi ali que se deu as quebras, de acordo com o estudo agora divulgado.

O oceano Rheic existiu entre o continente Baltica (norte da Europa) e porções que se quebraram de Gondwana, onde está a atual parte sul do continente europeu. O oceano se fechou durante a formação do supercontinente Pangea.

O artigo Origin of the Rheic Ocean: Rifting along a Neoproterozoic suture?, de J. Brendan Murphy, Gabriel Gutierrez-Alonso, R. Damian Nance, Javier Fernandez-Suarez, J. Duncan Keppie, Cecilio Quesada, Rob A. Strachan e Jarda Dostal, foi publicado na Geology, vol. 34, nº 5, pp. 325-328. O artigo pode ser lido por assinantes da revista em www.gsajournals.org;