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Jornal SP Norte

Quarentena e uso de máscara reduziram em 15% do contagio da covid-19 em SP

Publicado em 03 julho 2020

De acordo com pesquisa feita pelo Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI), o isolamento social combinado com o uso de máscaras em São Paulo diminuiram o contagio do coronavírus em 15% no inicio da pandemia. O estudo foi publicado na plataforma bioRxiv, ainda sem revisão por pares.

A conclusão dos pesquisadores aconteceu por meio de análises feitas em um modelo matemático, no qual permite estimar as taxas de transmissão do vírus em cada cidade do país.

O mesmo estudo mostrou que em Brasília, o uso de máscara somada com a quarentena fez com que a taxa de disseminação do vírus reduzisse em 25%.

A quarentena em São Paulo foi decretada em 24 de março, uma semana depois da primeira morte de coronavírus no Brasil. Na ocasião, São Paulo já era considerado o epicentro da doença no Brasil, com 810 casos confirmados e 40 mortes.

Foi a partir das primeiras recomendações do uso de máscaras pelo governo federal que houve uma queda significativa na transmissão do coronavírus, especialmente na cidade de São Paulo

A CeMEAI é um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) financiados pela FAPESP, e que fica sediado no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo (ICMC-USP), campus de São Carlos.

Bolsonaro sanciona lei que obriga o uso de máscara

Nesta sexta-feira (3), o presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido) sancionou uma lei que torna obrigatório o uso de máscaras em espaços públicos e privados (que tem acesso ao público como comércio).

Essa regra já estava valendo para algumas regiões, como o estado de São Paulo. Além disso, o governador João Doria (PSDB) determinou que pessoas que fossem pegas sem a máscara receberão uma multa de R$ 500.

Como é feito o estudo?

As cidades são representadas na rede como vértices e os possíveis contágios pela covid-19 entre cidades como links, estimados a partir de dados reais de infectados em cada município do país por meio de algoritmos de aprendizado de máquina e de análise de redes complexas.

O modelo foi aplicado para analisar e comparar quantitativamente a efetividade de duas medidas de saúde pública implementadas sucessivamente para conter a disseminação do novo coronavírus no início da epidemia de COVID-19 no país. A primeira medida foi a decretação de quarentena pelos estados no final de março e a segunda a recomendação do uso de máscara pelo governo federal no início de abril.

Os resultados indicaram que, no caso de São Paulo – o primeiro estado a decretar quarentena, no dia 24 de março, sete dias após o primeiro registro de óbito causado pela COVID-19 no Brasil, quando já era o epicentro da doença no país, registrando 745 casos confirmados e 30 mortes –, essa medida contribuiu para diminuir a taxa média de crescimento de casos da doença nas cidades paulistas.