Editoria especial do JC Notícias desta semana propõe uma reflexão sobre a situação das mulheres no Brasil e no mundo
Esta semana celebramos o Dia Internacional das Mulheres, um 8 de março que deixa mais questões do que motivos para comemorar. Na segunda-feira, dia 6, o secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, deixou um alerta preocupante em seu pronunciamento: o mundo levará três séculos ainda para ver homens e mulheres em par de igualdade. Ainda no início deste mês, dados levantados pelo Monitor da Violência mostraram outro número estarrecedor, este em nosso País: todos os dias, 10 mulheres são brutalmente assassinadas no Brasil – em 80% desses casos, o assassino é o parceiro delas.
Não à toa, ocupamos hoje o 94º lugar no ranking Global Gender Gap Report, do Fórum Econômico Mundial, que analisa variantes como saúde e sobrevivência, grau de instrução e participação na economia e na política das mulheres em 146 nações do mundo. Importante ressaltar que em 2020, o País estava duas posições acima.
Esse cenário só pode ser revertido com políticas eficientes, que ampliem a segurança e as oportunidades das mulheres.
Nessa quarta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou um pacote de medidas voltadas para as mulheres, com propostas para obrigatoriedade de igualdade salarial, garantia de licença maternidade às atletas e políticas de enfrentamento à violência política de gênero, bem como ações urgentes, como o decreto que assegura dignidade menstrual às pessoas em situação vulnerável e o Programa Mulher Viver sem Violência.
Todas essas medidas têm apoio da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), e muitas delas são reivindicações que já foram manifestadas por esta entidade inúmeras vezes. Voz ativa pela igualdade de gênero, a SBPC hoje tem quase 80% de sua Diretoria composta por mulheres cientistas. Outra luta da SBPC é justamente para que as pesquisadoras consigam quebrar o chamado teto de vidro e conquistem os postos de liderança na academia. Atualmente, as mulheres representam pouco mais da metade dos doutorandos no Brasil, mas ainda não chegam a ¼ entre os bolsistas de produtividade do País – bolsas concedidas pelo CNPq a pesquisadores com índices de produtividade elevados, segundo números do IPEA -Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada.
Não queremos esperar 300 anos para que essa realidade se transforme. Na Editoria Especial desta semana propomos esta reflexão: o que é preciso para acelerar esse lento processo rumo à paridade de gêneros?
Renato Janine Ribeiro
Presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC
Veja os textos do Especial da semana – Dia Internacional da Mulher
Folha de S. Paulo – Lula anuncia lei de igualdade salarial, crédito especial e incentivo à ciência para mulheres
BBC – Por que Brasil tem caído em ranking global de desigualdade de gênero
Folha de S. Paulo – Igualdade constitucional entre homens e mulheres ainda não tem 35 anos no Brasil
Pesquisa Fapesp – Mulheres enfrentam barreiras para a ascensão no serviço público brasileiro
Nexo – Por que o Congresso nunca foi presidido por uma mulher
G1 – Números de uma tragédia anunciada: 10 mulheres assassinadas todos os dias no Brasil
G1 – Aumento dos feminicídios no Brasil mostra que mulheres ainda não conquistaram o direito à vida
Gemaa – GEMAA divulga plataforma de dados de participação das mulheres na ciência
ONU Brasil – Discriminação contra mulheres na ciência é resultado de séculos de patriarcado
Jornal da USP – “A mulher só se torna tema de pesquisa quando ela mesma começa a fazer pesquisas”, afirma historiadora
UOL – Revolucionárias invisíveis: contribuição feminina a tecnologia e ciência são apagadas
National Geographic Brasil – Conheça 3 cientistas brasileiras que fizeram história
INEP – Professoras são 79% da docência de educação básica no Brasil
Al Jazeera – Dia Internacional da Mulher: a exclusão das mulheres do Afeganistão
Agência Brasil – Cientistas brasileiras têm maratona de edição de verbetes na Wikipédia