Notícia

O Liberal (PA)

Quando prevenir é melhor que remediar

Publicado em 27 janeiro 2010

É sempre assim. Toda vez que o céu desaba, o responsável pelas enchentes e deslizamentos é o clima. O governador Serra disse que este é um ano anômalo e foi malhado por isso. Na tragédia de Angra dos Reis, o governador carioca também mencionou os índices acima da média.

No início do mês, o prefeito Kassab, da Capital, disse que a água excessiva havia excedido a capacidade das bocas-de-lobo e das galerias. Na segunda-feira em São Paulo, o presidente Lula tirou a culpa de Kassab pelas enchentes na Capital. Mas de quem é a culpa, afinal?

É claro que está chovendo muito neste verão, mas a natureza não pode ser responsabilizada pelos efeitos. Um grupo de especialistas da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar) acaba de jogar luz sobre a questão. Os fatos são recorrentes no país por falta de uma cultura de prevenção e proteção civil, segundo a conclusão do Núcleo de Estudos e Pesquisas Sociais em Desastres (Neped) da universidade, que produziu o livro Sociologia dos Desastres: construção interfaces e perspectivas no Brasil.

A pesquisadora Mariana Siena disse à Agência Fapesp que há dificuldade dos órgãos públicos em reagir a tempo. "Se há fatores que caracterizam ameaça, é preciso preparar a população. E, após o resgate, é preciso buscar maneiras de reabilitar a população imediatamente e fazer uma reconstrução, afirma. E mais: A falta de prevenção é generalizada e o ente público está sistematicamente ausente. As lições aprendidas com as falhas na prevenção quase nunca são incorporadas.

O estudo aponta que nos últimos sete anos os eventos climáticos são verificados em cerca de 25% dos municípios brasileiros, quase sempre nos mesmos locais. Tudo se repete periodicamente, com as mesmas características e prejuízos. E eventualmente em situação pior, já que pessoas que mal tiveram tempo para se recuperar são atingidas novamente.

Aviso antecipado

As palavras são do diretor de energia de Furnas, Cezar Zani, em depoimento ao Senado Federal: "A mudança climática está sendo muito discutida. Existem posicionamentos divergentes, mas o fato é que tem que ser investigado, tem que ser analisado. Tem que se investigar essa questão de aumento de chuvas. Detalhe: o alerta foi feito em novembro, antes da temporada de chuvas. Soa agora como vaticínio diante das inundações em várias regiões do País. Aos poucos, vão caindo as fichas de que algo importante está ocorrendo no meio ambiente e que é preciso agir preventivamente, rápido e de maneira global.

Defesa Civil

O Senado Federal vai discutir este ano uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que cria um fundo específico para a Defesa Civil. O objetivo é garantir mais recursos para a reconstrução de áreas prejudicadas por desastres naturais. A PEC prevê ainda a criação do Conselho Nacional de Defesa Civil para atuar como responsável pela gestão do fundo composto por órgãos da Defesa Civil da União, dos Estados e dos Municípios e prevê contrapartida financeira por parte dos governos estaduais e municipais das regiões atingidas. É importante lembrar: pesquisa da Confederação Nacional de Municípios (CNM) aponta que apenas 10% dos municípios que pedem recursos do governo federal em situações de emergência recebem ajuda. O processo é penoso.

Para apurar

Nos últimos anos, a Fundação Casa criou 44 unidades no Estado, descentralizando o tratamento a adolescentes infratores. Somente a região do Tatuapé, na Capital, abrigava no passado cerca de 1.800 adolescentes em 18 unidades. As rebeliões diminuíram e a responsabilidade passou a ser compartilhada com os municípios. O que não significa o paraíso. A entidade vive nos últimos dias o pesadelo do holograma criado pela extinta Febem com denúncias de falhas de direitos humanos no tratamento dispensado por agentes e que merecem ser apuradas sem que se jogue a sujeira por debaixo do tapete.

Cultura

A Virada Cultural será lançada hoje pela Secretaria de Cultura. Na programação, Paralamas do Sucesso, Titãs, Zeca Baleiro, Toquinho e Arnaldo Antunes e outros. A versão 2010 abrange 29 cidades do Interior, entre as quais Franca, Sorocaba, Rio Preto, Araçatuba, Bauru, Jundiaí, Piracicaba, Mogi das Cruzes, Araraquara, São José dos Campos e Presidente Prudente.