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Quando as Fake News podem prejudicar uma pressão legítima

Publicado em 08 setembro 2020

Por Hernan Chaimovich | Jornal da Ciência online

Artigo de Hernan Chaimovich, professor Emérito do Instituto de Química da USP

Homines quos volunt credunt mais Quod nocet, saepe docet

Creio que muitos, como eu, acreditam que o impasse provocado pelo Governo Doria ao incluir o artigo 14 no PL 529, pode conduzir a um acordo onde os interesses do Executivo o os das Universidades Públicas Paulistas e da FAPESP sejam minimamente atendidos. Isto é, todos perderia algo, não há vencedores nem vencidos, e o enfrentamento as consequências da pandemia não acabam com a qualidade da pesquisa, da inovação e do ensino superior.

Nestas batalhas entre interesses com diversos graus de legitimidade as pressões de lado a lado são inevitáveis. Do lado do Executivo Paulista e de Deputados da base de apoio do Governados Doria se escutam críticas a forma de gestão das universidades, incompreensão do que seja a pesquisa, falta de entendimento das necessidades de uma Fundação de Amparo à Pesquisa respeitada mundialmente, entre outros argumentos que se estendem sobre todo o espectro desde a ignorância até a maledicência, especialmente nas redes sociais. Do outro lado, sempre meio isolados, os cientistas e os académicos insistem nos abaixo assinados, nas “lives” da internet e nos artigos na imprensa. Pressões de lado a lado são democraticamente legítimas, especialmente quando civilizadas, com profundo respeito à dignidade do outro e, de preferência, a os fatos. Neste sentido “Fake News” são inaceitáveis.

Num meio de comunicação, que prefiro não mencionar, apareceu a notícia, esta semana que UNESP, UNICAMP, USP, FAPESP e Governo tinham chagado a um acordo. Não houve, da parte dos responsáveis pelo meio de comunicação, a iniciativa de verificar, com os dois lados, a veracidade de esta informação. Assim, parte da comunidade que defende as Universidades públicas e a FAPESP, acreditando e entusiasmada pela notícia, começou a celebrar o fim do conflito. É claro, hoje, que as negociações, que sim existem, não chegaram a um acordo e que a notícia, portanto é falsa.

O Comunicado do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas assim o coloca em 05/09/2020 “apesar de as mudanças anunciadas pelo líder do governo na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) representarem um relativo avanço, o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) considera que prever a transferência dos superávits dessas instituições referentes ao ano de 2019 segue sendo uma afronta aos princípios da autonomia universitária em vigor há três décadas”.

O risco de acabar com as reservas da FAPESP e as das Universidades Públicas Paulistas paira ainda no horizonte. Não é a hora de diminuir a pressão, pois se isso acontecer, podemos perder o espaço conquistado entre Deputados da ALESP e em (pequena) parte da sociedade.

Sobre o autor:

Hernan Chaimovich é bioquímico, professor Emérito do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP) e ex-presidente do CNPq (2015 -2016).

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