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Quando a morte lhe cai bem

Publicado em 10 fevereiro 2014

Por Igor Ribeiro

Caio Túlio Costa foi correspondente internacional e ombudsman da Folha de S.Paulo, fundador e diretor do UOL e presidente do iG. Hoje professor e consultor na área de comunicação e sócio da agência de relações públicas MVL. O que não lhe falta, portanto, é gabarito para conduzir um estudo de fôlego sobre os problemas de receita que jornais têm enfrentado globalmente diante da força das mídia digitais. Na quarta-feira 20 apresenta, durante um evento na Associação Nacional de Jornais (ANJ), os resultados do relatório Um Modelo de Negócio para o Jornalismo Digital, resultado de um programa como pesquisador convidado da escola de jornalismo da Columbia University, em Nova York, com apoio da ESPM e da Fapesp, realizado entre agosto e dezembro de 2013.

O resultado não é definitivo, mas aponta, segundo Costa, “um modelo que tire de vista a necessidade de subsidio, seja publicitário, do governo, de fundações. Estas são estratégias viáveis, mas não serão solução para a maioria do mercado”. O jornalista diz que existem poucos estudos acadêmicos de fôlego sobre o tema – a maioria foi consultado na pesquisa – e seu intuito é colaborar com essa reflexão por meio de um trabalho centrado na sustentabilidade empresarial do jornalismo.

Em síntese, o volume de 107 páginas reúne o conhecimento produzido sobre o tema na última década, acrescido de análises do próprio autor. Ele conclui que as empresas de mídia secular de distribuição de informação devem combinar três modelos de venda para ter um negócio viável: espaço publicitário; conteúdo digital avulso ou por assinatura; e serviços de valor agregado.

Costa parte do desmoronamento que sofre a cadeia clássica de valor da indústria, muito baseada em empacotamento e distribuição de conteúdo, que foi revolucionado para o digital. O autor trata por exemplo, do “Parêntese de Gutenberg”, conceito do professor Thommas Pettitt que coloca os 575 anos desde a invenção da imprensa como um hiato organizado entre sistemas de comunicação mais orgânicos – o digital de hoje e tradição oral de séculos atrás.

Para Costa, é sintomático que uma empresa como o Whashington Post, com 136 anos de vida e centenas de funcionários, seja vendido por US$ 250 milhões a um empresário oriundo da “nova economia”, Jeff Bezos, enquanto o Facebook pague quatro vezes mais – US$ 1 bilhão – pelo Instagram, uma startup com uma dezena de funcionários. “As empresas de mídia têm de se dispor a encarar a disrupção que setores como medicina, música e telefonia já atravessaram. Têm de se dispor a matar a sua empresa mãe”, defende. A lógica é simples e Costa cita o livro The Innovator Dilemma de Clayton Christensen: se alguma empresa vai canibalizar seu negócio, melhor que seja mesmo a sua em vez de um concorrente.

Por meios de conceitos como inovação tecnológica, Big Data, behavior target, publicidade nativa, ad networks, redes socias e portabilidades, Costa indica caminhos possíveis para tal disrupção.

Antes da apresentação da ANJ, Costa pretende disponibilizar o paper online, que também será reproduzido na edição de abril da Revista de Jornalismo ESPM (edição brasileira da Columbia Journalism Review).