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Jornal da Ciência online

Quando a ciência molda ações

Publicado em 20 agosto 2019

Estudo avalia interesse de políticos brasileiros por pesquisas acadêmicas e como os resultados influenciam seu processo de tomada de decisão

Parte significativa dos políticos no Brasil tende a rever suas opiniões quando exposta a evidências obtidas por meio de estudos científicos. Eles também estão dispostos a incorporar o conhecimento produzido por esses trabalhos em seu repertório teórico, aplicando-o na formulação ou no aprimoramento de políticas públicas. As conclusões se baseiam em análises realizadas por um grupo internacional de pesquisadores, entre eles a economista brasileira Diana Moreira. Em um trabalho publicado em fins de junho no repositório do National Bureau of Economic Research (NBER), eles avaliaram o interesse de prefeitos e autoridades de várias cidades brasileiras pelo conhecimento produzido por estudos acadêmicos sobre a eficácia de políticas públicas, como eles consumiam esse tipo de informação e até que ponto se valiam de tais resultados para respaldar decisões ou balizar a implementação de estratégias setoriais. “Um dos principais resultados do nosso estudo é que esses líderes políticos querem usar as evidências obtidas em estudos no processo de tomada de decisão, desde que os trabalhos envolvam grandes amostras”, destaca Moreira, que concluiu seu doutorado na Universidade Harvard em 2017 com uma tese sobre governança na área de educação e hoje é professora assistente do Departamento de Economia da Universidade da Califórnia em Davis, nos Estados Unidos.

Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores avaliaram a percepção e a receptividade de prefeitos, vice-prefeitos e secretários municipais de 2.150 cidades brasileiras acerca de dados sobre a eficácia de políticas públicas. O levantamento foi realizado durante duas reuniões promovidas pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), em Brasília, em maio de 2017 e 2018. A escolha dos prefeitos para analisar o impacto do conhecimento científico foi proposital. Moreira explica que o sistema adotado nos municípios brasileiros é considerado ideal para esse tipo de estudo, uma vez que o papel desempenhado pelos prefeitos tende a ser análogo ao de chefes de Estado de muitos países. “Eles são eleitos diretamente pelo povo e individualmente podem exercer um poder considerável nas decisões políticas das cidades que administram”, destaca a economista. “E, como acontece em muitos países, os administradores locais costumam ter dificuldade para acessar informações resultantes de projetos de pesquisas.”

Leia na íntegra: Revista Pesquisa Fapesp

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