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Qualidade deve ser a meta da pós-graduação

Publicado em 07 maio 2013

Por Angelo C. Pinto

Editorial da Revista Virtual de Química

A palavra de ordem na comunidade científica brasileira, dos anos setenta e oitenta, era Massa Crítica. A de hoje é Inovação. Apesar do crescimento da comunidade científica brasileira nos últimos 20 anos, em especial a de Química, ainda estamos longe de alcançar a Massa Crítica.

Este editorial, entretanto, não irá tratar de Massa Crítica e, muito menos, de Inovação. Seu foco é como atingir novo patamar de qualidade para que melhore a formação de mestres e de doutores da área de Química.

Há um ditado popular que diz: "O uso do cachimbo faz a boca torta". Este ditado aplica-se a muitos programas de pós-graduação, principalmente aos mais novos, em que os vícios herdados pelos professores vêm deformando por completo os mestres e doutores que formam. Além de grande parte dos docentes não buscarem novas linhas de pesquisa, muitos são mais conservadores do que seus ex-orientadores. Como mudar este quadro diante de um sistema praticamente cristalizado? Nesse sentido fazemos algumas considerações na forma de perguntas e respostas.

- Por que não partir para um exame de ingresso nacional ou por região do país?

Muitos pós-graduandos não têm os conhecimentos mínimos necessários para estarem na pós-graduação. Além de nivelarem por baixo os Programas, oneram o sistema de bolsas. Ingressos por região ou nacional qualificariam melhor os Programas.

- Por que grades curriculares com tantas disciplinas obrigatórias?

Os pós-graduandos gastam grande parte do tempo cursando disciplinas. Muitos professores acreditam que os estudantes só aprendem em sala de aula, não aceitam que os estudantes possam aprender e andar com as próprias pernas.

- Por que em alguns estados com vários programas de pós-graduação como, por exemplo, o Rio de Janeiro, os pós-graduandos só podem obter um terço dos seus créditos em outro programa?

As mesmas disciplinas são muitas vezes oferecidas concomitantemente em mais de um programa. Além de verdadeiro desperdício porque mobiliza mais de um professor para ministrar a mesma disciplina, o docente passa, no seu programa, a ser o titular permanente daquela disciplina.

- Por que estudantes considerados excepcionais são obrigados a cumprirem as mesmas etapas dos estudantes medianos?

A avaliação pela média prejudica sempre os melhores. Não reconhecer mérito é nivelar por baixo. Muitas vezes os melhores estudantes se sentem desestimulados e abandonam o curso ou passam a copiar o conjunto para não parecerem diferentes.

Apesar dessas considerações, deve ficar claro que graças a CAPES e ao CNPq, e hoje a algumas FAPs como a FAPERJ, a FAPESP, a FAPEMIG e a FAPESBA, o sistema brasileiro de pós-graduação consolidou-se e atingiu proporções inimagináveis nos anos setenta e oitenta. Mas, devemos ficar alertas porque com o tempo os modelos se esgotam e a pós-graduação pelo seu dinamismo não pode acomodar-se aos números atuais. Para novo salto é necessário que tenhamos uma estrutura mais flexível e inteligente.