Notícia

Revista Nacional da Carne

Qualidade da carne suína em questão

Publicado em 01 maio 2000

Carne com menos gordura, abate inspecionado e esclarecimentos sobre a qualidade nutricional são os principais quesitos em pauta quando o assunto é carne suína 0 ano de 1999 marcou um crescimento no consumo nacional, bem como nas exportações. A região Sul é a líder de consumo, com índice per capita de 19 kg/hab/ ano, estando acima da média mundial, que e de 14,52 kg, segundo a ABCS. Em termos de renda, no entanto, os números não acompanharam o mesmo ritmo, sofrendo uma redução de aproximadamente 23% em relação a 1998, de acordo com a Abipecs. Alterações e pesquisas estão sendo desenvolvidas na tentativa de melhorar o setor suinícola e o mercado. Tipo de alimentação dos sumos, controle da deposição e mensula da gordura são os principais itens em estudo. Especialistas e associações do setor opinam e compõem um quadro geral do que se constitui o atual cenário da suinocultura. Dados da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) apontam a região Sul como dona da maior representação numérica, econômica e tecnológica quanto ao rebanho sumo brasileiro. É onde se localiza a maioria das indústrias Em seguida, vêm as regiões Sudeste. Centro-Oeste. Nordeste e Norte; sendo que as duas primeiras têm apresentado um rápido desenvolvimento, em vista dos crescentes investimentos em Minas Gerais Goiás e Mato Grosso. Ainda de acordo com a Associação, no Brasil, hoje, consome-se cerca de 30% de carne in natura e 70% de carne industrializada, o que faz elevar os preços e frear o consumo. Na Europa, ao contrario, 70% representa carne in natura e 30% a industrializada. O consumo per capita de carne suína no Brasil é de 10.09 kg/hab/ano, sendo que a média mundial é de 14,52 kg e, na Europa, acima de 40 kg. Segundo dados da Abipecs - Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suma - no ano de 1999 foram embarcadas 81.84 mil toneladas de carne suína, superando as 81,56 mil toneladas de 1998, representando um crescimento de 0,34% no volume de embarques. No entanto, na receita cambial, as exportações brasileiras alcançaram no ano passado, US$ 118,4 milhões FOB. um decréscimo de 22,96% em relação aos US$ 153,8 milhões de 98. Observa-se também a queda no preço médio, que em 1998 foi de US$ 1,88 mil/tonelada e em 1999, de US$ 1,44/tonelada. Os principais compradores da carne suína brasileira, de acordo com a Abipecs, continuam sendo basicamente a Argentina, Hong Kong e Uruguai, sendo os dois primeiros responsáveis por aproximadamente 85% do total exportado. MENOS GORDURA É A EXIGÊNCIA DO MERCADO A obtenção de uma carne com menos gordura tem sido o principal objetivo dos produtores de suínos. De acordo com o engenheiro agrônomo e coordenador de mercado de suínos da Tortuga Cia Zootécnica Agrária, Leandro Hackenhaar, os benefícios de se produzir uma carcaça com menos gordura não pára apenas no pagamento da bonificação, que pode chegar a até 20% de acréscimo sobre o preço de mercado do suíno. "Produzir gordura custa caro. Por exemplo, para se produzir um quilograma de gordura consome-se quatro vezes mais alimento do que para se produzir um quilo de carne". No animal adulto o tecido adiposo passa a representar quase metade do corpo. No entanto, o suíno é abatido bem antes de chegar ao peso adulto. O abate ocorre normalmente num ponto próximo à metade do peso adulto, no momento em que a curva de crescimento começa a declinar. A proporção entre carne e gordura, no entanto, pode ser alterada quando adotadas algumas medidas adequadas de manejo. O objetivo do suinocultor é encontrar formas de minimizar a deposição de gordura "0 que realmente lhe interessa é que os animais cresçam rapidamente, mas com pouco toucinho. 0 correto é selecionar levando em conta os dois critérios: velocidade de crescimento e espessura de toucinho, ou seja, velocidade de deposição de carne magra", explica Hackenhaar. PROJETO DETERMINA QUANTIDADE DE CARNE MAGRA O Centro de Tecnologia em Carnes (CTC) do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), em Campinas (SP), desenvolveu um método para quantificar a carne magra presente na carcaça do animal e não pelo peso vivo, como se costuma fazer hoje, no Estado de São Paulo. A pesquisa visa a melhora na qualidade da carne, uma vez que o criador terá a oportunidade de conhecer seu plantei no que diz respeito à porcentagem de carne mais aceita no mercado. Nem todas as partes do suíno são totalmente aproveitadas por quem o compra, o que resulta em inevitáveis prejuízos. Reforçando a tese de que carne magra e de boa qualidade é a principal exigência do mercado atual, o pesquisador científico especializado em carnes do Ital, Expedito Tadeu Facco Silveira, deu origem ao projeto, do qual é coordenador. Estão sendo estudados 12 mil animais, entre os quais, 120 vão ser destacados para representar o total com as mesmas características. Os dados da pesquisa serão introduzidos numa pistola de inserção ótica para adaptar o instrumento à realidade brasileira. Desenvolvida na Nova Zelândia, a pistola já é utilizada na região Sul brasileira desde 1991, para medir a espessura do toucinho e a quantidade de carne magra (processo denominado tipificação eletrônica), que é a carne mais importante para a indústria de produtos cárneos como salames e presuntos cozidos. O projeto está sendo patrocinado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e o trabalho, realizado junto aos frigoríficos Prieto e Marquiori, ambos com capacidade de abate superior a mil animais por dia. De acordo com Silveira, a suinocultura movimenta todos os anos no Brasil, aproximadamente US$ 4 bilhões e está presente em 46,5% dos 5,8 milhões de propriedades rurais espalhadas pelo território. (TABELA 1 - Exportação Brasileira de Suínos Janeiro/Dezembro 1999 x Janeiro/Dezembro 1998) (TABELA 2 - Evolução do rebanho, abate e produção de suínos no Brasil) (TABELA 3 - Principais países produtores) (TABELA 4 - Distribuição do consumo per capita por região) (TABELA 5 - Rebanho suíno por região geográfica) (TABELA 6 - Comparação dos grandes produtores) (TABELA 7 - Maiores produtores de grãos)