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Info Exame online

Qual seria o Plano de Banda Larga ideal?

Publicado em 23 abril 2010

Se a internet tivesse que optar por apenas um patrono em cada país, é bem provável que, no Brasil, o eleito seria Demi Getschko, atual diretor-presidente do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br).

Formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo em 1975, Getschko foi um dos principais responsáveis pela primeira conexão TCP/IP no Brasil, em 1991, ligando a FAPESP, onde trabalhava, ao Energy Sciences Netword (ESNet), nos Estados Unidos.

A partir do feito, o pai da internet brasileira continuou intermediando conhecimentos e conexões tecnológicas em diversas empresas e universidades pelas décadas seguintes, tanto no Brasil quanto fora dele, sempre ligado às questões de internet e seus desdobramentos. Em seu currículo, estão passagens com grandes cargos em Agência Estado, iG, Internet Corporation for Assigned Names and Numbers (ICANN), além de ser Conselheiro do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) desde 1995.

Como bom engenheiro, Getschko evita usar o adjetivo larga para se referir ao termo banda, pois, segundo o próprio, a palavra carrega diversas conotações que podem variar de profissional para profissional e, sobretudo, de um país para outro - exemplificando, ainda que a grosso modo, a velocidade de banda larga na Índia pode ser uma conexão pífia no Japão, e por aí vai.

Ele também sempre procura a tangente quando é procurado para falar do Plano Nacional de Banda Larga, visto que não participou sequer indiretamente do projeto e sabe da complexidade de um assunto cujo futuro nem mesmo os envoldidos do governo ousam palpitar.

Mesmo com todas essas ressalvas, Getschko topou conceder uma entrevista a INFO Online em que não faltou nenhuma opinião: falou sobre inclusão, infraestrutura, velocidade, incentivos, empresas privadas, iniciativas governamentais e tudo mais que envolve o Plano Nacional de Banda Larga a ser apresentado nas próximas semanas.

Confira o bate-papo abaixo:

Demi Getschko, um dos responsáveis pela chegada da internet no país e diretor do NIC.br

INFO: Qual a importância ou urgência do Plano de Banda Larga no Brasil?

DEMI GETSCHKO: Em primeiro lugar, é um fato que o mundo está preocupado com banda larga. Não só os EUA têm um plano para isso, como a Austrália anunciou dois anos atrás, como a Coréia do Sul, Inglaterra e outras nações também. Então há uma óbvia necessidade de prestar atenção nisso se queremos ser um país competitivo com uma população que está, digamos, incluída tanto nos destinos do seu país como na discussão global. Minha posição pessoal é que há fundamental importância tratar de banda larga do ponto de vista de estratégia inicial, porque isso dará aos brasileiros amplitude/ respiração para continuar evoluindo. Está claro em alguns lugares, como na Austrália, que o modo de incluir as pessoas nem sempre é atingível pela iniciativa de mercado. Isso acontece porque, mesmo nos Estados Unidos, normalmente as opções que você tem para acessar banda larga de certo lugar que não seja Nova Iorque ou em uma cidade pouco povoada, há uma, no máximo duas opções. Não há, de fato, uma diversidade de ofertas. Isso não acontece porque as infra-estruturas estão ligadas a estruturas físicas que são esparsas - cabo, fibras, às vezes rádios -, e não há uma enxurrada de ofertas. A competição nessa área, nos Estados Unidos, é muito escassa. Posso dizer que a competição no Brasil é pior. Raramente, você tem competição; em São Paulo você pode escolher se você quer via cabo ou via DSL , ou seja, tem algum tipo de escolha, mas a medida que você vai saindo para regiões um pouquinho mais remotas, você tem uma ou zero escolha; ou você tem o fornecedor local ou você não tem acesso.