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Qual a relação entre a memantina e o consumismo?

Publicado em 22 outubro 2012

Por Fernanda Fernandes
Por Dr André Felicio, neurologista, doutor em ciências pela UNIFESP, membro da Academia Brasileira de Neurologia e clinical fellow da University of British Columbia no Canadá
 
A memantina é uma substância utilizada para tratar pessoas com Alzheimer, a principal doença neurodegenerativa em nosso meio. A indicação da memantina na doença de Alzheimer é para o controle das funções cognitivas, ou seja, na memória, atenção, linguagem, cálculo, etc. No entanto, pesquisadores nos Estados Unidos defendem que ela também pode combater o consumismo. Segundo os estudos, após ingerirem o remédio, as pessoas reduziram as compras pela metade.
 
O fato é que a memantina atua em receptores no cérebro humano, inibindo ou dificultando a ação de uma substância (neurotransmissor) conhecida por glutamato. E o que é o glutamato? É um neurotransmissor que estimula outras células no cérebro (neurônios) e parece estar relacionado, junto com outras substâncias como a dopamina e opioides, com o que chamamos de "patologia de controle do impulso". Dentre estas patologias de controle do impulso destacam-se, por exemplo, a compulsão por compras.
 
No cérebro humano, além deste papel relacionado ao comportamento impulsivo, o glutamato tem atuação sobre os neurônios relacionados à nossa memória e outras funções superiores. Como um dos mecanismos de morte celular talvez esteja relacionado ao excesso de glutamato na célula, bloquear o receptor celular do glutamato (papel da memantina) parece auxiliar no tratamento de doenças neurodegenerativas, em particular, o Alzheimer.
 
No caso dos compradores compulsivos, problema tratado, em geral, pelos psiquiatras, a memantina agiria também bloqueando o glutamato, mas em outras regiões do cérebro, possivelmente implicadas na patologia do controle de impulsos. Entretanto, ainda não há comprovação científica para o uso desta medicação em patologias do controle do impulso, mas existem estudos preliminares que poderão confirmar esta relação e, eventualmente, sua indicação poderá constar em bula.  
 
Dr André Felicio é neurologista, doutor em ciências pela UNIFESP, membro da Academia Brasileira de Neurologia e clinical fellow da University of British Columbia no Canadá.
 
- Graduação em Medicina na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Minas Gerais (1997 a 2002);
 
- Bolsas de iniciação científicas obtidas junto ao Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento (CNPq, 2003) e Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (FAPEMIG, 2004 e 2005);
 
- Residência médica em Neurologia na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), São Paulo (2003 a 2006);
 
- Título de Especialista em Neurologia obtido junto à Academia Brasileira de Neurologia (ABN, 2006);
 
- Membro efetivo da Academia Brasileira de Neurologia (ABN, desde 2007);
 
- Doutor em Ciências (Área de Concentração em Neurologia) obtido junto à Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), São Paulo (2007 a 2011);
 
- Bolsa de doutorado obtida junto à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP, 2007 a 2011);
 
- 70 artigos científicos publicados em revistas internacionais e nacionais na área de Neurologia;
 
- Clinical and Research Fellowship realizado na University of British Columbia, Vancouver, Canada (UBC, 2011 a 2012).