A aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan foi temporariamente suspensa pelo Ministério da Saúde após o registro de 42 casos de eventos adversos graves em pessoas vacinadas. Entre os casos investigados, três pacientes precisaram de internação e dois morreram. As autoridades de saúde apuram se há relação entre os episódios e o imunizante.
Segundo o Ministério da Saúde, a suspensão tem caráter preventivo e não altera a eficácia comprovada da vacina. A orientação é que as pessoas já vacinadas mantenham a tranquilidade, pois o imunizante continua oferecendo proteção contra a dengue.
Pessoas que receberam a vacina nos últimos 21 dias devem ficar atentas ao aparecimento de sintomas semelhantes aos da dengue. Esse período é conhecido como viremia vacinal, fase em que o organismo ainda apresenta a versão enfraquecida do vírus utilizada para estimular a produção de anticorpos.
Os principais sinais de alerta são:
Em caso de qualquer um desses sintomas, a recomendação é procurar atendimento médico imediatamente para avaliação e acompanhamento.
Já quem foi vacinado há mais de 21 dias não precisa buscar assistência médica por causa da suspensão da vacina. De acordo com o Ministério da Saúde, essas pessoas estão fora do período de risco relacionado à viremia vacinal e seguem protegidas contra a doença.
Eficácia e aplicação da vacina
A vacina do Butantan apresenta eficácia de cerca de 65% na prevenção da dengue e superior a 80% na redução de casos graves e hospitalizações.
Até 30 de maio, mais de 501 mil pessoas haviam sido imunizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A vacinação começou em municípios-piloto como Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), contemplando adolescentes e adultos de 15 a 59 anos, faixa etária aprovada para uso pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI).
A estratégia também foi ampliada para a região de Araguaína (TO) e para profissionais da atenção primária à saúde.
Segurança monitorada
Antes de ser incorporada ao SUS, a vacina passou por todas as etapas exigidas para aprovação no país. Durante os estudos clínicos, mais de 11 mil voluntários foram acompanhados por até cinco anos. Após a análise dos resultados, o imunizante recebeu autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
As investigações sobre os eventos adversos continuam em andamento, e o Ministério da Saúde afirma que novas orientações serão divulgadas conforme o avanço das análises.