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Publicação analisa vida social, política e econômica nas periferias

Publicado em 14 janeiro 2021

Por Agência FAPESP *

O Centro de Estudos da Metrópole ( CEM ), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão ( CEPID ) da FAPESP, lançou o livro Espaços periféricos: política, violência e território nas bordas da cidade pela Editora UFSCar.

Organizado por Matthew Aaron Richmond , Moisés Kopper , Valéria Cristina de Oliveira e Jaqueline Garza Placencia, o livro é uma coletânea de pesquisas estruturada em três grandes seções – Estado e Políticas Públicas; Crime e Violência; Transformações Socioespaciais.

As pesquisas têm como referência socioespacial o distrito de Sapopemba, na zona leste de São Paulo, analisado sob diferentes perspectivas. Apesar de a maioria dos estudos ter sido realizada por pesquisadores filiados ao CEM, há também a participação de pesquisadores de outras instituições. Os trabalhos de campo, em grande parte, foram realizados entre 2016 e 2018.

“Nosso objetivo foi reunir um conjunto de pesquisas que possibilita identificar as formas de heterogeneidade que existem na periferia hoje em dia. Sapopemba, embora não seja uma periferia extrema no sentido geográfico e em relação a alguns indicadores, como o de violência, por exemplo, é um microcosmo que pode revelar aspectos mais gerais das periferias”, diz Matthew. “Temos diversos pesquisadores olhando para diferentes problemas de pesquisa, fazendo uso de diferentes repertórios teóricos-metodológicos, para construir uma compreensão de uma mesma região”, completa Valéria.

Moisés destaca que o livro busca pensar como a literatura de Ciências Sociais no Brasil lidou com o espaço periférico, com análises a partir dos anos 1960 até a atualidade, levando em conta os contextos políticos, econômicos e sociais em que essa literatura foi surgindo e que respostas eram buscadas. “Fizemos um esforço para estabelecer períodos diferentes em que a literatura tratou deste tema, analisando os aportes teóricos e questões metodológicas e empíricas a cada um destes períodos”, conta. “Além disso, procuramos analisar as consequências de se definir a periferia num dado momento como sendo, por exemplo, apenas uma relação de distanciamento geográfico em relação ao centro da cidade: que efeitos isto tem em termos de produção de um olhar sobre a periferia, como isto ajuda a definir ou não o acesso a políticas públicas, como sujeitos que vivem nestes lugares se relacionam com esta definição hegemônica, como resistem a elas, que definições produzem a partir das suas vivências”, continua.

Os organizadores ressaltam que, apesar de o foco ser um bairro específico da capital paulista, a discussão se dá em um âmbito mais amplo. “Nosso conceito de espaço periférico não se aplica só ao Sapopemba. No caso, as pesquisas realizadas ali, se valendo da pluralidade de perspectivas teórico-metodológicas, trazem uma discussão que faz uso de um conceito-base que não se aplica só para aquele espaço”, complementa ela.

Para Matthew, trata-se de um território espacialmente muito heterogêneo. Ele dá como exemplo dessa heterogeneidade as diferentes formas de habitação. “Há um histórico de produção de espaço que tem muitas singularidades, mas também, de alguma forma, parece que pode ser lido como um microcosmo das periferias, de forma mais ampla. Tem habitação social, mutirões, autoconstrução mais consolidada, favelas”, destaca.

O sumário do livro pode ser consultado em https://arquivosbrasil.blob.core.windows.net/insulas/anexos/espacos_perifericos_sumario.pdf . A publicação pode ser adquirida no site da EDUFSCar .

Com informações da Assessoria de Comunicação do CEM

Este texto foi originalmente publicado por Agência FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND . Leia o original aqui .

 

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