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Blog Louco por cachorros

Pseudopaludicola coracoralinae

Publicado em 09 julho 2020

Por André Luiz Vianna

Pseudopaludicola coracoralinae é batizado em homenagem à poetisa goiana Cora Coralina

A reportagem, muito boa, é de Lailton Costa, para O Estado de S. Paulo (6 de jul 2020): Nova espécie de anfíbio é batizada em homenagem a Cora Coralina.

Ela começa inspirada em poema de Cora Coralina: “Quando o tempo muda, a saúva revoa e um trovão surdo, tropeiro, ecoa na vazante lameira do brejo e dá para ouvir o sapo-fole, o sapo-ferreiro e o sapo-cachorro, como um canto de acauã de madrugada, para marcar o tempo e chamar a chuva. Esse é um dos cenários que envolvem uma roça sertaneja no Poema do Milho, de Cora Coralina.”

O canto é de uma espécie minúscula de anfíbio de tamanho entre 1,25 cm e 1,53 cm, só agora revelado por um grupo de pesquisadores das Universidades Estaduais de Campinas (Unicamp), Paulista (Unesp), no campus Rio Claro, e da Universidade Federal de Uberlândia, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Descreve Lailton: “E foi numa poça d’água temporária em meio ao milharal, formada após uma chuva no ano passado, que os pesquisadores Felipe Silva de Andrade, primeiro autor do trabalho, e Isabelle Aquemi Haga, captaram a vocalização da nova espécie em Palmeiras de Goiás, distante cerca de 71 km de Goiânia.”

“O achado no meio do milharal levou o pesquisador Felipe Andrade a batizá-la de Pseudopaludicola coracoralinae, em homenagem à poetisa goiana Cora Coralina.”

“A partir da análise genética e do sequenciamento do DNA, os pesquisadores puderam descobrir que uma população anfíbia anteriormente descrita como Pseudopaludicola facureae, do centro do Brasil e no próprio município de Palmeiras de Goiás, corresponde a essa nova espécie, a coracoralinae.”

Os autores explicam que decidiram homenagear a escritora por sua importância para a poesia brasileira.

Transcrevo aqui trecho do Poema do milho.

Tempo mudado. Revôo de saúva.

Trovão surdo, tropeiro.

Na vazante do brejo, no lameiro,

o sapo-fole, o sapo-ferreiro, o sapo-cachorro.

Acauã de rnadrugada

marcando o tempo, chamando chuva.

Roça nova encoivarada,

começo de brotação.

Roça velha destocada.

Palhada batida, riscada de arado.

Barrufo de chuva.

Cheiro de terra; cheiro de mato,

Terra molhada, Terra saroia.

Noite chuvada, relampeada.

Dia sombrio. Tempo mudado, dando sinais.

Observatório: lua virada. Lua pendida . . .

Circo amarelo, distanciado,

marcando chuva.

Calendário, Astronomia do lavrador.

Cora Coralina

https://ciencia.estadao.com.br/noticias/geral,nova-especie-de-anfibio-e-batizada-em-homenagem-a-cora-coralina,70003355725

https://www.escritas.org/pt/t/5493/poema-do-milho

(Foto: )