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Protec - Pró-Inovação Tecnológica

Proximidade com universidades aumenta inovação

Publicado em 01 outubro 2012

A palavra inovação "está na moda e isso é um problema, porque tudo vira inovação", diz Ulisses Zamboni, presidente da agência de publicidade Santa Clara.

Há "exageros na publicidade" quando se fala nesse tema, diz Guto Grieco, coordenador do centro de inovação e criatividade da ESPM. "Inovação é só o que tira do conforto, muda algo com que você já está acostumado", define Zamboni.

Segundo sondagem da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), no segundo trimestre, 55,7% das empresas brasileiras realizaram alguma mudança em seus produtos ou processos. No começo de 2010, esse percentual era 71,4%.

Para a agência, incertezas em relação ao futuro da economia global fazem com que empresários adiem as decisões em relação a mudanças.

O estudo é realizado apenas com grandes companhias brasileiras, mas as pequenas empresas costumam acompanhar as tendências das grandes, afirma a diretora da agência Maria Luisa Leal.

Academia e corporação

Com mais investimentos (e não só de capital de risco) e uma ligação maior entre a universidade e o mundo corporativo, as empresas brasileiras poderiam elevar sua capacidade de inovar, destaca Tony Knopp, brasileiro que mora nos Estados Unidos desde 1965 e é gerente do setor responsável pela interação entre empresas e o MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts).

Recentemente, o governo brasileiro anunciou programas para incentivar a inovação nas empresas, o Inovacred e o Tecnova.

O primeiro é uma linha de financiamento. Já o Tecnova é uma subvenção (ou seja, o empreendedor não precisa pagar de volta) de R$ 120 mil a R$ 400 mil para que organizações de apoio à pesquisa, como a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), distribuam para pequenas companhias.

Em ambos os casos, trata-se de recurso da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), explica o superintendente Ricardo Jabace.

Nas universidades, acadêmicos reconhecem a falta de proximidade com empresas.

Sergio Risola, diretor da incubadora de negócios da USP, no entanto, enxerga mudanças. Ele relata ter tido encontros com executivos e diz que colegas também estão mais próximos das corporações.

(Fonte: Folha de São Paulo - 30/09/2012)