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Protótipo visa contribuir com ensino de genética nas escolas

Publicado em 21 fevereiro 2019

A ciência fascina, mas ainda é algo distante da maioria da população brasileira. Talvez pela sua complexidade de temas. Pelas nomenclaturas um tanto quanto complicadas para descrever uma doença ou elemento químico. Ou mesmo devido à maneira com que este tipo de conteúdo ainda é compartilhado dentro das salas de aula.

Neste sentido, o Instituto de Biociências da Unesp Botucatu, junto com alunos do Colégio Embraer – Casemiro Montenegro Filho, estão tirando do papel um protótipo para o ensino de genética nas escolas. Trata-se de um material associado a um projeto temático financiado pela FAPESP que vem sendo desenvolvido na universidade. E um dos objetivos deste amplo projeto é de criar um kit educativo sobre cromossomos.

O conjunto pedagógico é formado por peças confeccionadas em impressoras 3D. Estas são presas em um quadro metálico através de imãs e que reproduzem a montagem de um cariótipo para estudo de alterações cromossômicas. Uma ideia relativamente bem simples, mas bastante prática. Afinal, o material didático é leve e pode ser transportado facilmente pelo professor numa bolsa.

Para desenvolver esse material educativo, o Instituto de Biociências firmou uma colaboração com o Colégio Embraer e alguns de seus alunos, que por meio de uma disciplina específica ficaram responsáveis por sua criação. “Temos uma disciplina chamada ‘Projetos Abrangentes’ que instiga os estudantes a desenvolverem soluções para problemas reais. Esses projetos devem pautar-se por sua relevância acadêmica, social e econômica. E é o que este projeto busca é justamente isso: fazer a ciência tocar os jovens na prática”, explica o diretor do colégio, Prof. Renato Augusto.

“Esse kit permite que o jovem aluno possa compreender melhor as alterações genéticas associadas a várias síndromes. E esse projeto de cooperação tem justamente esta proposta, que é a de trabalhar ensino e aprendizagem de uma forma diferenciada, utilizando materiais que permitam a interatividade”, comenta a Profa. Adriane Wasko, do Departamento de Genética do IB e uma das responsáveis pela produção do material educativo.

Ciência transformadora

Maria Eduarda Franco, uma das alunas do 2º ano do Colégio Embraer envolvidas no projeto, conta que até então não tinha tanta familiaridade com o tema. Mas à medida que ela e os colegas de classe passaram a se envolver foram descobrindo que a ciência pode sim ser transformadora.

“Havíamos estudado apenas estrutura básica do DNA, o conhecimento básico do 1º ano do Ensino Médio. O que mais abriu a minha cabeça, nesse tempo em que trabalhei no projeto, foi o fato de que o protótipo seria uma chance de uma grande melhoria na base do ensino de Genética nas escolas públicas. Foi realmente o que me deixou mais animada”, revela.

O projeto aprovado pela Fapesp já encontra-se em seu segundo ano de execução. “A ideia agora é fazer o protótipo final, apresentá-lo em eventos, entrar com o processo de patenteamento para posterior produção em maior escala e distribuição em escolas públicas”, conclui a professora Adriane.

O que é cariótipo?

Cariótipo é o conjunto de cromossomos de uma determinada espécie e é feito pela ordenação dos cromossomos aos pares. Estes cromossomos são pareados de acordo com seu tamanho e morfologia. Os seres humanos possuem 46 cromossomos – 44 destes são encontrados em homens e mulheres.

O que diferencia os sexos é que mulheres possuem dois cromossomos chamados de X e os homens possuem um cromossomo X e um cromossomo Y. Ao montar um cariótipo, pode ser verificado se há ou não alguma alteração nos cromossomos e assim definir a ocorrência de alguma síndrome genética.

da Assessoria