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Livre Mercado

Protetor de câmera sai de incubadora

Publicado em 01 março 2008

Uma fábrica de empresas está em plena operação em São Bernardo. A Iesbec (Incubadora de Empresas de São Bernardo) teve 33 empresas incubadas de janeiro a dezembro de 2007, das quais 12 graduadas. Apoio técnico, consultivo e gerencial, facilitando o acesso a consultorias, treinamentos e participações em feiras levaram o empresário Roberto Meglioli a optar pelo Grande ABC para pôr no mercado o Outex, protetor de máquina fotográfica feito de látex.

"A bolsa de látex cirúrgico tem o formato da máquina que vai proteger. E muito leve, aproximadamente 150 gramas, e com ótima relação custo-benefício frente a similares usados em mergulho" afirma Roberto Meglioli. Além de mergulhos até 10 metros, o Outex protege o equipamento em trabalhos fotográficos feitos na chuva, em trilhas, no mar, na areia. A máquina fica hermeticamente fechada na bolsa de látex, mas o fotógrafo tem acesso a todos os botões. No caso da lente, urna janela óptica permite o registro da imagem.

A criação do Outex foi decorrência de uma necessidade de Roberto Meglioli. Trilheiro, pretendia levar máquina fotográfica para registrar as aventuras off-road, mas não queria que a câmera voltasse no mesmo estado do jipe — coberta de barro. Viu um colega usando equipamento envolto em filme plástico e pensou em usar um preservativo. Conseguiu pôr o preservativo na máquina, mas o uso do equipamento se tornou impossível. Tentou bexiga de festa de criança, mas não deu certo. De tentativa em tentativa, surgiu a definição do material a ser usado, o látex, pela elasticidade, preço competitivo e processo de fabricação simples. "Além disso, o látex é antialérgico e pode ser reciclado" — acrescenta Roberto Meglioli.

Depois de muitos testes em casa, para o que construiu até uma estufa, o empresário chegou ao produto final, que foi patenteado. Mas o produto pronto levou de imediato à demanda seguinte: como chegar ao mercado? Roberto Meglioli foi atrás de apoio especializado. Procurou o Cietec (Centro Incubador de Empresas Tecnológicas), ligado à USP (Universidade de São Paulo), que indicou a Iesbec. O empreendedor está na fábrica de empresas há um ano e tem mais dois para se desenvolver em setores que não domina. O leque é amplo: área financeira, RH, importação e exportação e apoio para participar de feiras nacionais o espaço nas feiras é banca do pela Iesbec.

"A Iesbec abre a cabeça dos empreendedores para várias informações, como o relacionamento entre empresas, da empresa com o governo e da empresa com organizações não-governamentais" considera o empresário.

O público-alvo, que Roberto Meglioli inicialmente pensou que seriam trilheiros como ele, é composto em grande maioria por fotógrafos profissionais. O Outex já é comercializado e o preço varia entre R$ 300 e R$ 400, dependendo da câmera a que se destina. "Com as máquinas digitais, o cuidado deve ser redobrado, porque os componentes são muito sensíveis" avalia. A negociação para comercialização em lojas especializa das está em andamento, mas no site www.outex.com os interessados podem obter meios de contato.

O protetor de câmeras fotográficas é resultado de apenas uma das empresas incubadas na Iesbec, que no ano passado superou em 130% a meta estabelecida de faturamento. A incubadora criada em 2000 gerou 100 postos de trabalho, 166% acima do previsto, e obteve cinco patentes, uma empresa aprovada pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e duas em presas aprovadas pela Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) em 2007. A meta do berço de empresas é pôr no mercado empreendimentos que se sus tentem e sobrevivam com as próprias pernas. O faturamento de R$ 4,26 milhões no ano passado é prova do sucesso alcançado.