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Diário do Povo

Proteínas também dão fôlego extra

Publicado em 05 novembro 2003

Por DELMA MEDEIROS - Agencia Anhangüera
As proteínas, que por muito tempo foram consideradas só fornecedoras de aminoácidos para o organismo construir novos tecidos, atualmente estão sendo apontadas também como fontes de reforço para o desempenho físico. Um estudo, coordenado pelo professor Jaime Amaya Farfan, cientista de alimentos e bioquímico da nutrição do Departamento de Planejamento Alimentar e Nutrição da Unicamp, aponta propriedades fisiológicas especiais em alguns hidrolisados protéicos, como os do soro do leite e do colágeno bovinos, que são benéficas no desempenho de exercícios físicos. A pesquisa, desenvolvida com ratos, mostra que o soro do leite consumido por períodos semi-agudos (de uma semana ou mais), pode proporcionar o aumento da resistência física e da disposição para executar exercícios como natação ou corrida em esteira. Segundo o professor Farfan, a resistência ao exercício, medida pelo aumento do tempo de exaustão, é ampliada em duas vezes e meia. Além disso, ele explica que os parâmetros bioquímicos indicam menor perda de proteínas do sangue. Isso faz com que, ao final do exercício, as condições do animal estejam mais próximas do normal. "Há um desgaste menor, e o animal que consome o hidrolisado de soro do leite demora mais para atingir o ponto de exaustão", resume. Já os hidrolisados do colágeno bovino atuam de forma benéfica nas funções intestinais, e aceleram a capacidade de regeneração em articulações deterioradas. "Os avanços no conhecimento sobre a função das proteínas nas dietas para o desempenho físico", foram o tema da palestra do professor Farfan ontem, no segundo dia do 5° Simpósio Latino Americana de Ciência de Alimentos (Slaca), que ocorre até amanhã na Unicamp. O evento, o maior do gênero na América Latina, reúne cerca de 1,8 mil participantes e mais de 80 palestrantes, de 23 países. O professor informa que a pesquisa no Brasil se limita a animais (ratos no caso específico da Unicamp). Mas, o grupo de pesquisa coordenado por ele está preparando um projeto para enviar à Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), para aprofundar as variáveis que determinam o valor do produto hidrolisado. A idéia é ampliar a aplicação para testes em seres humanos. O projeto deve ir ainda este ano para a Fapesp. Hoje, os debates do 5° Slaca se concentram na questão dos alimentos transgênicos.