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Agência Gestão CT&I

Proteínas da saliva revelam o prognóstico e a evolução do câncer de boca

Publicado em 12 agosto 2016

Uma pesquisa do Laboratório Nacional de Biociências (LNBio) revela que as proteínas presentes nas salivas dos pacientes com câncer de boca oferecem importantes indícios sobre o prognóstico e a evolução da doença. Os resultados abrem novas possibilidades de tratamento do carcinoma oral de células escamosas, um tipo frequente de câncer de boca. A doença leva 20% dos pacientes à morte em até cinco anos após o diagnóstico.

No estudo, foram mapeadas as diferenças entre as proteínas da saliva dos pacientes com câncer, com e sem lesão, e das pessoas saudáveis. Publicada na revista Scientific Reports, do grupo Nature, a descoberta rendeu o 7º Prêmio Octavio Frias de Oliveira, na categoria pesquisa oncológica, à coordenadora do estudo, Adriana Franco Paes Leme, do LNBio.

Segundo ela, a pesquisa selecionou um painel de proteínas capaz de diferenciar o grupo com câncer do grupo saudável com 90% de precisão. "Esse estudo abre caminho para a definição de proteínas marcadoras de prognóstico que poderão auxiliar a decisão clínica dos oncologistas. Além disso, as proteínas selecionadas refletem alterações em mecanismos celulares que podem ajudar a elucidar o surgimento e a progressão deste tipo de câncer oral, que leva cerca de 20% dos pacientes à morte em até cinco anos após o diagnóstico", explicou a pesquisadora.

As amostras de saliva, coletadas pela Faculdade de Odontologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), foram analisadas por meio da técnica de proteômica baseada em descoberta no LNBio. Os resultados levaram à identificação de 38 proteínas presentes somente na saliva de indivíduos com câncer e lesão ativa, sendo que cinco exclusivas à saliva do grupo com câncer sem lesão ativa, assim como diferenças em quatro proteínas localizadas em vesículas extracelulares da saliva de pessoas com câncer.

Uma proteína específica, chamada PPIA, mostrou-se relacionada a um pior prognóstico da doença, quando encontrada em baixa concentração na saliva. Mesmo em pacientes que removeram cirurgicamente as lesões ativas, o perfil proteico mostrou-se diferente, sugerindo alterações na resposta imune ou inflamatória.

 

Próximos passos

Para validar os dados obtidos, os pesquisadores já se preparam para avaliar um número maior de indivíduos e incluir pacientes que fizeram tratamento com radioterapia. Além disso, a continuidade do projeto prevê análises de amostras de sangue e de tecidos tumorais. Os dados obtidos no laboratório continuarão a ser confrontados com o histórico clínico dos indivíduos que participam do estudo com o objetivo de relacionar as proteínas com metástase, recidiva e sobrevida.

"A saliva se mostrou uma fonte interessante de marcadores de prognóstico. Isso é animador, pois trata-se de um fluido que pode ser obtido sem a necessidade de procedimentos invasivos. Eu ainda não afirmo que temos marcadores de prognóstico, mas estamos trabalhando para isso", conclui Paes Leme.

A pesquisa contou com apoio financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). As análises de proteômica foram realizadas no Laboratório de Espectroscopia do LNBio, uma instalação aberta a usuários externos.

O LNBio integra o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), uma organização social vinculada ao MCTIC, e dedica-se à pesquisa e inovação nas áreas de biotecnologia e descoberta de fármacos.

 

 

(Agência Gestão CT&I, com informações do MCTIC)