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Pioneiro (RS)

Proteína tem eficiência em cobaias

Publicado em 20 março 2000

A proteína isolada pelos pesquisadores brasileiros já provou, em ratos, ter importantes efeitos protetores contra a paracocci-dioidomicose (PCM), provocando reações imunológicas capazes de reduzir significativamente a virulência da doença. Se as pesquisas evoluírem bem, em quatro ou cinco anos os cientistas esperam testar a vacina em seres humanos. A primeira etapa da pesquisa, financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), identificou a glicoproteína gp43 do fungo da PCM como a responsável pelo início das reações imunológicas. Depois, os primeiros testes em cobaias, provaram que a gp43 era a responsável por desencadear especificamente a produção de linfócitos. O próximo passo foi provar que esses linfócitos eram eficazes no combate à doença. Para isso, foram usados dois grupos de ratos idênticos geneticamente. Apenas um deles foi vacinado com a gp43 e, a seguir, ambos foram infectados com a PCM. Os animais imunizados desenvolveram uma infecção pulmonar 200 vezes menos intensa que os outros. Além disso, nos vacinados, a infecção restringiu-se aos pulmões, enquanto nos demais houve disseminações para fígado e baço. A etapa seguinte da pesquisa dividiu a proteína gp43 em 25 fragmentos (peptídeos) e testou o efeito de cada um deles no sistema imunológico. O objetivo era descobrir qual fragmento provocava a reação celular mais intensa. A intenção é poder produzir uma vacina gênica. Em vez de imunizar as pessoas com o peptídeo que provoca as reações imunológicas desejadas, pode-se imunizá-las com a "receita" genética desse peptídeo. "Só podemos lançar a vacina se ao menos 75% das pessoas tiverem a célula capaz de reconhecer e de apresentar o peptídeo para o linfócito específico que vai combatê-lo, porque só nessa gente haverá reação imunológica eficiente", explica Luiz Rodolpho Travassos, coordenador da pesquisa. As simulações de computador calculam que 90% das pessoas tenham a célula em questão.