Notícia

Diário do Pará online

Proteína pode facilitar perda de peso e melhorar controle da glicose

Publicado em 22 fevereiro 2021

Uma proteína secretada pelo tecido adiposo marrom que é capaz de se comunicar com o fígado, pode facilitar na perda de peso, além de melhorar o controle da glicose e dos lipídios em circulação. A descoberta foi feita por pesquisadores brasileiros e norte-americanos. As informações são do portal Agência FAPESP.

A pesquisa abre caminho para novos tratamentos contra doenças crônicas ligadas ao metabolismo corporal, como obesidade e diabetes tipo 2.

O estudo é parte do pós-doutorado do educador físico Carlos Henrique Grossi Sponton, realizado com apoio da FAPESP na Universidade da Califórnia em São Francisco (Estados Unidos), e representa um marco no conhecimento científico sobre a gordura marrom e sua importância para a saúde. Por isso, foi capa da última edição do periódico Embo Reports.

As pesquisas mostraram que, assim como a gordura branca, que libera hormônios, o tecido adiposo marrom também libera moléculas com papel regulatório no organismo, para além da produção de calor.

A interferência é possível graças às batoquinas – fusão dos termos BAT (de brown adipose tissue) e citocinas.

A batoquina PLTP e seu efeito no metabolismo energético

Na primeira etapa, os pesquisadores compararam o perfil molecular de células de tecido adiposo marrom e branco extraídas de humanos. “Identificamos as proteínas que estavam mais expressas no tecido marrom, o que significa que esse tecido secretava quantidades maiores dessas proteínas”, explica Sponton.

Depois de confirmar a maior secreção dessas proteínas pelo tecido marrom, eles empregaram uma estratégia de engenharia genética (com uso de vetor viral) para testar a função de cada uma dessas proteínas em camundongos obesos. Após uma série de testes, uma proteína, conhecida como PLTP (sigla em inglês para proteína de transferência de fosfolipídios), chamou a atenção dos pesquisadores.

O mecanismo de comunicação entre o tecido adiposo marrom e o fígado por meio da PLTP levou ao aumento do gasto energético e, consequentemente, à perda de peso e à redução de gordura corporal nos roedores estudados.

Além disso, eles passaram a ter um controle mais fino dos níveis de glicose sanguínea e de lipídios circulantes, como o colesterol e outros menos conhecidos, como os esfingolipídeos e fosfolipídeos.

FUTURO

Se os resultados continuarem animadores, a expectativa é que a PLTP possa tratar doenças onde o metabolismo lipídico, da glicose ou o peso estão alterados, como é o caso da síndrome metabólica, do diabetes tipo 2 ou da obesidade.