Notícia

O Imparcial (Presidente Prudente, SP)

Proteína mostrou ser eficiente em cobaias

Publicado em 12 março 2000

São Paulo - A proteína isolada pelos pesquisadores brasileiros já provou, em ratos, ter importantes efeitos protetores contra a paracoccidioidomicose (PCM), provocando reações imunológicas capazes de reduzir significativamente a virulência da doença. Se as pesquisas evoluírem bem, em quatro ou cinco anos os cientistas esperam testar a vacina em seres humanos. A primeira etapa da pesquisa, financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), identificou a glicoproteína gp43 do fungo da PCM como a responsável pelo início das reações imunológicas. Depois, os primeiros testes em cobaias, provaram que a gp43 era a responsável por desencadear especificamente a produção de linfócitos. O próximo passo foi provar que esses linfócitos eram eficazes no combate à doença. Para isso, foram usados dois grupos de ratos idênticos geneticamente. Apenas um deles foi vacinado com a gp43 e, a seguir, ambos foram infectados com a PCM. Os animais imunizados desenvolveram uma infecção pulmonar duzentas vezes menos intensa que os outros. Além disso, nos vacinados, a infecção restringiu-se aos pulmões, enquanto nos demais houve disseminações para fígado e baço. A etapa seguinte da pesquisa dividiu a proteína gp43 em 25 fragmentos (peptídeos) e testou o efeito de cada um deles no sistema imunológico. O objetivo era descobrir qual fragmento provocava a reação celular mais intensa. "Isso foi feito porque é muito mais fácil e barato sintetizar em laboratório um peptídeo do que uma proteína inteira", explica Luiz Travassos, coordenador do estudo. Paralelamente, outra pesquisadora identificou e seqüenciou o gene responsável por codificar a gp43. A intenção é poder produzir uma vacina gênica. Em vez de imunizar as pessoas com o peptídeo que provoca as reações imunológicas desejadas, pode-se imunizá-las com a "receita" genética desse peptídeo. "A vantagem é que é muito mais fácil clonar genes em laboratório do que sintetizar proteínas", explica Travassos. Atual mente, os pesquisadores estão testando o efeito do peptídeo escolhido em doentes de PCM. "Só podemos lançar a vacina se ao; menos 75% das pessoas tiverem a célula capaz de reconhecer e a apresentar o peptídeo para o Iinfócito específico que vai combatê-lo, porque só nessa gente haverá reação imunológica eficiente", explica Travassos.