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Associação Paulista de Jornais

Própolis pode ser arma contra a leishmaniose

Publicado em 19 janeiro 2008

Por Luciana La Fortezza

O extrato de própolis, o elemento químico telúrio e o oxigênio podem despontar como novas armas no tratamento da leishmaniose. A eficácia deles vem sendo testada em camundongos pelo Laboratório de Leishmaniose do Departamento de Parasitologia do Instituto de Biologia (IB) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Se o resultado for satisfatório, não será tão sacrificante tratar a "úlcera de Bauru". É assim que também ficou conhecida a leishmaniose tegumentar ou cutânea. Essa forma da doença - que inicialmente afeta só a pele, mas depois de algum tempo pode acometer mucosas como a do nariz - já foi estudada in vitro pela Unicamp.

Apenas uma pessoa contraiu esse tipo de leishmaniose em Bauru no ano passado. No mesmo período, 27 casos da leishmaniose visceral foram registrados no município, sendo que sete pessoas morreram em virtude do moléstia.

"Trabalhamos nas três frentes. A gente testou a célula infectada com o parasita da leishmaniose tegumentar, por isso não vou jurar que o resultado seja o mesmo com a visceral. Testamos in vitro, em cultura e estamos testando nos camundongos. Tem uma linhagem de camundongos que você injeta leishmânia e ela fica com uma lesão cutânea igual a de gente. Estamos passando uma pomada de extrato de própolis na lesão", explica a coordenadora dos estudos, Selma Giorgio.


Tóxico

A idéia é que a ferida desapareça rapidamente sem deixar cicatrizes. A recuperação da pele, normalmente, ocorre de forma espontânea. Porém, além de demorar mais e deixar marcas, a doença pode voltar a se manifestar em mucosas após algum tempo. Com a pesquisa, a proposta final também é a de encontrar meios de evitar o reaparecimento da lesão na mucosa.

"Ainda não dá para falar que os efeitos em camundongos são promissores ou positivos porque a infecção demora muito para aparecer. A gente injeta o parasita e demora. Tem que esperar aparecer a doença para curá-la. A primeira pergunta que faz quando vai trabalhar com droga é se ela é tóxica para o hospedeiro, que é o homem ou o cachorro", comenta Giorgio.

Como sabe-se que o própolis não é tóxico, seria possível superar a primeira etapa da pesquisa. "Li uma reportagem na revista da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) de uma colega da Universidade Bandeirante de São Paulo (Uniban). Liguei para ela", comenta a coordenadora das pesquisas. A profissional da Uniban é química e utilizou extrato de própolis numa célula infectada com leishmânia. Foi ela também quem desenvolveu a pomada.

Já no caso do telúrio, a molécula foi sintetizada por outro químico. Desta vez, por um profissional da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que procurou a Unicamp. "A gente tem bom experimento de cultura de célula e, agora, com camundongo. O que a gente nota é que já é muito bom. O própolis não é tóxico para o hospedeiro, nem o telúrio", conclui Giorgio.