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Projetos de restauração da amazônia feitos pela sociedade civil avançam mas precisam ganhar escala e representam ainda apenas 10% de todas as áreas desmatadas

Publicado em 13 dezembro 2020

Folha Verde News 

Um mapeamento inédito agora identifica 2 mil e 700 projetos de restauração: nos informa Mariana Schreiber da BBC News que teve acesso aos dados da Aliança pela Restauração da Amazônia

80 entidades ambientalistas já estão indo à luta mas...

...é urgente que este projeto ganhe escala diante do desmatamento no bioma que é monstruoso

TO,FLÁVIO FORNER/IVULGAÇÃO

Os 2.773 projetos mapeados cobrem 113,5 mil hectares, uma pequena área frente ao acelerado ritmo de destruição da floresta: apenas entre agosto de 2019 e julho de 2020, foram desmatados 1,1 milhão de hectares da Amazônia (alta de 9,5% ante os doze meses anteriores), segundo dados oficiais preliminares do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), cada hectare equivale a aproximadamente um campo profissional de futebol. Mas enquanto de um lado avança o desmatamento na Amazônia, de outro 2.773 projetos promovem hoje no Brasil a restauração da maior floresta tropical do mundo, mas cobrindo ainda uma área ínfima dos milhões de hectares com potencial para serem recuperados. São iniciativas tocadas por organizações da sociedade civil, empresas, agricultores, instituições de pesquisa e alguns governos que foram mapeadas pela primeira vez pela Aliança pela Restauração na Amazônia, em documento lançado nesta semana e antecipado à BBC News Brasil. É o caso por exemplo do projeto Café Apuí, no Amazonas, em que 59 famílias produzem café orgânico em 33 hectares de sistemas agroflorestais, método de cultivo em que coexistem na mesma área o cultivo agrícola e outras vegetações. Esta iniciativa exemplar, que já plantou 32 mil árvores, recuperou antigos cafezais que estavam abandonados por baixa produtividade devido a degradação do solo. A melhor qualidade do café produzido sob a sombra da vegetação mais alta replantada permitiu um aumento de 300% da renda das famílias envolvidas, constatou o levantamento. Diante da necessidade de crescimento destas iniciativas ligadas ao movimento ecológico e cientifico, a publicação traz 10 recomendações para que a restauração ganhe escala no Brasil, ao mesmo tempo que alerta que esses projetos não substituem a preservação da floresta ainda de pé, com o combate ao desmatamento, que é majoritariamente ilegal na Amazônia.

Na seção de comentários mais detalhe sobre algumas das iniciativas dentro deste programa e desafio de restaurar a Amazônia

Segundo Danielle Celentano, secretária executiva da Aliança pela Restauração na Amazônia, "a recuperação da floresta e o combate ao desmatamento são estratégias que caminham juntas para evitar que a Amazônia chegue a um ponto de não retorno (ripping point), um patamar de destruição em que a floresta perderia a capacidade de se regenerar e haveria mudanças drásticas e permanentes do ecossistema (como redução das chuva e aumento da seca), algo que já demonstra hoje indícios dramáticos no Brasil, na América do Sul e em todo o continente americano, com reflexos em todos os pontos da Terra. Alguns cientistas como Carlos Nobres calculam que esse ponto irreversível deve ocorrer quando o desmatamento atingir algo entre 20% a 25% da floresta original: segundo os cálculos dele já estão perdidos em 2020 entre 16 e 17% da floresta, sendo que a situação de não retorno, por consenso entre vários pesquisadores, poderá ser atingida no intervalo entre 15 e 30 anos, permanecendo a taxa de desmatamento atual.

Ecologistas, pesquisadores e agricultores pioneiros já estão levando adiante este movimento exemplar da socicdade civil

Esta boa notícia da iniciativa ecológica para restaurar a ecologia amazônica e assim evitar a destruição total (o tipping point) passa pela criação e plantio de mudas nativas em massa. "Então, é agora ou nunca: tem que parar de desmatar e recuperar o passivo (o que foi desmatado ilegalmente), promovendo uma nova economia de base florestal", afirma Danielle Celentano, pesquisadora que é também gerente sênior de restauração de paisagens florestais da Conservação Internacional, uma das 80 instituições que integram a Aliança pela Restauração.

A ciência já pode prever o fim do bioma e o caos que poderá complicar definitivamente o aquecimento global

(Confira depois mais tarde detalhes desta Aliança pela Restauração das florestas e outros dados ou exem0plos na seção de comentários deste blog da gente, nesta edição do Folha Verde News já postamos também dois vídeos, um deles um panorama sobre esta iniciativa que envolve 80 entidades ambientalistas que foi feito em live pela Conservação Internacional, sendo o outro, reportagem sobre Pesquisa Fapesp nesse tema, fundamental para o Brasil ter vida futura)

O Reino Unido por coincidência que está abandonando o financiamento de projetos ligados ao petróleo e ao agronegócio poderá ver a ser um parceiro também da restauração da Amazônia?

CRÉDITO,ECOPORÉ-RO/DIVULGAÇÃO

Fontes: BBC News Brasil - Aliança pela Restauração da Amazônia