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USP - Universidade de São Paulo

Projeto visa tornar aberta toda produção acadêmica da USP

Publicado em 07 dezembro 2010

Uma questão central em qualquer universidade pública é: como devolver à sociedade o que é investido na instituição? Formar profissionais qualificados, pesquisar temas relevantes e realizar projetos de extensão são respostas óbvias, mas o movimento Open Access (Acesso Aberto), ao qual a USP declarou adesão através de carta publicada no dia 26 de outubro, propõe mais uma maneira: dando acesso livre e direto à produção científica e cultural da universidade.

O projeto USP Acesso Aberto pretende criar um site (chamado de repositório) no qual a maior quantidade possível de trabalhos produzidos na Universidade esteja disponível para consulta de qualquer usuário. O Sistema Integrado de Bibliotecas (Sibi) da USP trabalha na implantação do conceito tanto desenvolvendo o sistema que abrigará o conteúdo quanto (em um passo ainda mais importante) negociando com todas as partes envolvidas e interessadas no processo de produção e divulgação acadêmica; docentes, revistas científicas, agências de fomento, institutos de ensino superior, entre outros.

Quando um pesquisador escreve um artigo que é resultado de estudos realizados na Universidade, o envia para publicação em uma revista científica internacional de prestígio. Entretanto, ao publicar o trabalho, a maioria das editoras exige a cessão total dos direitos patrimoniais do obra - em outras palavras, a autoria continua sendo atribuída ao pesquisador, mas os direitos de publicação e comercialização passam para a revista.

Segundo Sueli Mara Ferreira, diretora do Sibi, "a assinatura [anual] de algumas revistas chega a custar o preço de um carro importado". Portanto, o conhecimento produzido na Universidade, fica fechado, restrito quase só ao meio acadêmico. O Movimento Internacional de Acesso Aberto ao Conhecimento nas Ciências e Humanidades sugere algumas abordagens, que a USP também está tentando usar. Além de disponibilizar conhecimento para a sociedade, o Acesso Aberto também beneficia a própria academia. Estima-se que cause um aumento, em média, de cerca de 8% do número de citações dos artigos; para os países em desenvolvimento, o aumento pode chegar a 25%.

Junto às editoras, tenta-se encontrar uma forma de conciliar o interesse comercial com o acesso aberto. "Ninguém está desmerecendo o valor da casa publicadora, a necessidade que exista, nem negando que a revista tenha um custo alto [para se manter]. O que se está discutindo é a criação de um novo modelo de negócio". Esse modelo tem duas estratégias, denominadas "gold" e "green".

A primeira consiste em duas frentes: as revistas financiadas com dinheiro público, que normalmente pertencem às instituições de ensino e que, em sua maioria, já são abertas (a exemplo das revistas da USP); e, na outra frente, propõe que o conteúdo das revistas científicas pagas seja aberto e quem arque com os custos de sua publicação sejam os autores dos artigos, não os leitores. Por exemplo, se um professor da USP consegue ter um artigo aprovado para publicação, a USP, e todas as outras instituições que também tiverem artigos publicados, pagam para a casa publicadora.

Já o modelo green é basicamente igual ao atual, com assinatura paga, mas as editoras não deteriam os direitos patrimoniais do artigo. Na prática, significa que o trabalho também poderia ser publicado em outro lugar, como o repositório da universidade em que nasceu. Por isso é essencial a conscientização dos professores, afinal, são eles que assinam contrato com as publicadoras.

As agências de fomento à pesquisa, como a Fapesp e o CNPq, também podem ajudar a implantar o modelo, condicionando os financiamentos aos termos do modelo Open Acess.

O Acesso Aberto USP está na fase de testes, em que estão sendo usados trabalhos da Escola de Comunicações e Artes (ECA), Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) e da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP e ainda não está disponível ao público. Quem quiser, contudo, pode manifestar apoio ao projeto assinando a carta online.

Apesar de ter aderido ao movimento acesso aberto recentemente, a USP já tem iniciativas para democratizar sua produção acadêmica.