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Jornal Joseense News

Projeto Sons Vítreos realizará oficina de criação de instrumentos musicais de vidros (1 notícias)

Publicado em 28 de março de 2017

Por Roberta Sales, da Agência FAPESP

O Núcleo Ouroboros de Divulgação Científica do Departamento de Química (DQ) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) realizará nos dias 30 e 31 de março e 1º de abril uma série de três oficinas de criação e demonstração de instrumentos musicais com materiais não convencionais, entre eles, o vidro. A oficina é aberta a qualquer interessado e inclusiva à pessoa com deficiência visual.

A ação é parte do projeto Sons Vítreos, criado pelo Ourobouros em colaboração com o Centro de Pesquisa, Educação e Inovação em Materiais Vítreos (CeRTEV, sigla em inglês), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) da FAPESP. O objetivo do projeto é divulgar o conhecimento científico sobre vidros e mostrar o potencial uso desses materiais para a sociedade.

“O Ouroboros trabalha com divulgação científica, fazendo uma interface com educação e pesquisa. Conhecer os diferentes materiais vítreos e seus possíveis usos e aplicações é uma forma interessante e poderosa de divulgar essa ciência”, disse Karina Lupetti, idealizadora do projeto e diretora-geral do núcleo de divulgação, à Agência FAPESP.

O projeto começou em 2016 quando a equipe do núcleo pensou em criar instrumentos de vidro para saber qual seria o som emitido por eles. Além disso, eles pretendiam usar os instrumentos para tocar a trilha sonora e a vinheta de um programa de rádio que o grupo estava preparando para a UFSCar, o Minuto Vítreo, que apresenta curiosidades sobre os vidros.

Com a ajuda do mestre vidreiro Ademir Sertori, eles fizeram uma flauta doce e um carrilhão, além de utilizarem um conjunto de taças que produzia sons semelhantes aos de um órgão de tubo, usados na vinheta do programa. A continuidade do projeto resultou na criação de um triângulo, um caxixi (chocalho) e um berimbau com cabaça de vidro. Posteriormente, músicos e atores do grupo Olhares – projeto Ouroboros que atua com inclusão de deficientes visuais – se juntaram à equipe.

Além da musicista Zildmara Rodrigues, responsável pelas melodias e direção musical, e do mestre vidreiro, que constrói os instrumentos, integram a equipe o luthier Marcel Abramo, especialista em física acústica, química, engenharia de materiais e educação especial que cuida da afinação. “A beleza do projeto é justamente seu caráter experimental. O fato de juntar ciência, arte e especialistas de diversas áreas”, explica a diretora do núcleo.

Para o professor Edgar Dutra Zanotto, coordenador do CeRTEV, o projeto mostra como o conhecimento científico pode ser utilizado de forma criativa para facilitar a divulgação científica. “É um esforço sinérgico entre divulgadores e cientistas para pensar em outras formas de utilização de vidros e na divulgação do conhecimento existente sobre eles.”

No final de 2016, o grupo se apresentou no workshop que comemorou os 40 anos do laboratório de Materiais Vítreos da UFSCar (LaMaV) (assista ao vídeo da apresentação no endereço http://agencia.fapesp.br/videos/#9rHsNkQZx5E). Sob a direção de Zildmara Rodrigues, o grupo usou instrumentos convencionais – violão, sanfonas e caixa do Maranhão (tambor) – e os instrumentos de vidro criados no projeto para tocar seis músicas.

Em 2017 eles planejam criar novos instrumentos. A intenção é formar uma orquestra só com instrumentos de vidro.

As oficinas de construção de instrumentos musicais serão ministradas pelo luthier Abramo e pelo mestre vidreiro Sertori. Os interessados podem se inscrever pelo e-mail oficinainclusiva2017@gmail.com ou pelo telefone (16) 3351-8059.

Para saber mais sobre o Ouroboros e os projetos de divulgação científica do núcleo, acesse http://www.ufscar.br/ouroboros/.