Notícia

O Imparcial (Presidente Prudente, SP)

Projeto resgata período colonial paulista

Publicado em 26 setembro 2000

Por Karla Dunder - Agência Estado
São Paulo Pesquisar o período colonial agora será mais fácil. Pelo menos essa é a intenção do Projeto Resgate da Documentação Histórica Referente à Capitania de São Paulo. A iniciativa recebeu o mesmo status que o Projeto Genoma da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. O lançamento ocorreu ontem, na Fapesp, e contou com a presença do ministro da Cultura, Francisco Weffort, que também deu início ao Congresso Projeto Resgate & Agenda do Milênio, com os pesquisadores envolvidos neste trabalho, na Faculdade de História da Universidade de São Paulo. A idéia do Projeto Resgate surgiu em 1986 e consistia em reunir, organizar em ordem cronológica, microfilmar e digitalizar toda a documentação presente no Arquivo Histórico Ultramarino de Lisboa, em Portugal. O arquivo lisboeta possui toda a correspondência recebida e cópias de todas as cartas relativas à administração colonial, principalmente às capitanias brasileiras, enviadas pelas autoridades portuguesas. O projeto nacional foi financiado com recursos públicos dos Ministérios da: Cultura, Educação e Ciência e Tecnologia, além de órgãos de fomento à pesquisa, como a Capes, CNPq e Fapesp. Em 1988, começaram as pesquisas para resgatar os documentos relativos a Minas Gerais em virtude das comemorações dos 200 anos da Inconfidência Mineira. Em 1994, o projeto ganhou novo fôlego quando a historiadora Esther Bertoletti foi encarregada de organizar esse trabalho em escala nacional - O Resgate da Documentação Histórica Barão de Rio Branco. Quatro anos depois, o professor Jobson de Andrade Arruda deu início à pesquisa para São Paulo, a partir de um catálogo com 5 mil documentos organizados pelo historiador Mendes Gouveia durante as comemorações pelo quarto centenário da cidade, em 1954. "A idéia de organizar e trazer a documentação que está em Portugal tem uns 150 anos, mas só agora foi possível viabilizá-la", conta Arruda. Praticamente 7 mil manuscritos foram colhidos com informações sobre a vida social, política, econômica, cultural e religiosa de São Paulo e Estados da Região Sul no período compreendido entre 1547 a 1823. "Os registros estão disponíveis em 11 CD-ROMs, podem ser copiados na íntegra, ou seja, qualquer pesquisador pode duplicar o documento que quiser, fato que de democratiza o acesso a eles," afirma Arruda. "O Projeto Resgate é o tipo de pesquisa que gera pesquisa." Foram encontrados alguns documentos curiosos como 34 pranchas coloridas das cidades de São Paulo e Santos. Em uma delas, conta Arruda, havia o desenho de um curral do século 18 e orientações de como deveria ser construído, ilustrado e com medidas. Também encontramos um mapa da baixada santista aparentemente comum, mas quando o ampliamos pudemos ver desenhos de jacarés, garças entre outras coisas desenhadas a ponta de pena." DEBATE O Congresso Projeto Resgate & Agenda do Milênio encontro que marca o encerramento de uma etapa do Projeto Resgate, reúne 27 pesquisadores portugueses e 30 brasileiros que estiveram em Lisboa e conhecem todo o conteúdo do programa. Eles estarão na USP debatendo o Projeto Resgate e as formas de cooperação entre Brasil e Portugal. "No Centro de Apoio a Pesquisa, o CAP, faremos um laboratório em que os interessados nos documentos poderio contar com explicações dos técnicos do projeto, numa experiência interativa", afirma o professor. "Uma outra característica desse congresso é o direcionamento, isto é, não basta os documentos estarem à disposição necessário que especialistas apresentem tendências e diretrizes para uma pesquisa hoje. Seis grupos estarão debatendo temas como "Cultura e Religiosidade", "Família, Casamentos e Migrações", "Historia Local e Mundialização", História Econômica, "História Social e Movimentos Sociais" e "Historiografia e Memória". "Os grupos prepararam um texto obedecendo a um questionário e, na seqüência, debaterão apresentarão um texto síntese; amanhã, os coordenadores dos "grupos debaterão com os demais participantes", explica Arruda.