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Projeto quer mapear genomas de parasitas

Publicado em 25 julho 2000

Até o fim do ano, o Brasil deverá Iniciar o seqüenciamento genético de alguns parasitas responsáveis por doenças de grande impacto epidemiológico no País. Entre os mais cotados para estrear o projeto Genoma Parasita estão os causadores da malária, da doença de Chagas, da esquistossomose, da leishmaniose e da paracoccidioidomicose (PCM), que é a oitava causa de mortalidade entre as doenças infecciosas. São enfermidades típicas de países, em desenvolvimento, que despertam interesse em poucos grupos de pesquisa de países desenvolvidos. "A intenção é abrir caminho para o desenvolvimento de drogas mais eficientes contra esses graves problemas de saúde pública", explica o médico Sérgio Verjovsky Almeida, coordenador de seqüenciamento genético do Genoma Câncer e estudioso da esquistossomose. O projeto Genoma Parasita, que será financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), está sendo preparado por pesquisadores desses patógenos que participaram dos primeiros seqüenciamento genéticos realizados no País. Nos últimos dois anos, graças à iniciativa da Fapesp, o Brasil concluiu o primeiro seqüenciamento de uma praga agrícola, iniciou o de alguns outros organismos e produziu um quinto de todas as informações sobre genes expressos em tumores humanos disponíveis no banco de dados internacional. O novo projeto deve começar com o seqüenciamento do fungo Paracoccidioides brasilienses, responsável pela mais mortal de todas as micoses sistêmicas. Comum na América Latina, sobretudo no Brasil, a doença ataca geralmente os pulmões (às vezes outros órgãos), apresentando níveis de mortalidade comparáveis aos das grandes endemias nacionais, como tuberculose, malária, sífilis, mal de Chagas ou hanseníase. A intenção, porém, é dar início já ao seqüenciamento de outros parasitas.