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Revista Feed & Food

Projeto quer determinar a pegada hídrica da aquicultura

Publicado em 22 março 2017

Uma pesquisa que começou a ser desenvolvida em 2015, com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), quer determinar a pegada hídrica na aquicultura brasileira.

O projeto de pesquisa pioneiro do Instituto de Pesca (IP) busca revelar a pegada hídrica, conceito mundialmente conhecido que visa determinar o volume de água virtual “escondido” atrás de cada produto ou processo. O conceito é amplamente estudado na produção de produtos agrícolas, carnes e serviços, mas ainda desconhecido no setor de aquicultura.

O estudo está sendo desenvolvido em vários módulos, segundo explica o pesquisador Julio Vicente Lombardi. “Iniciamos a pesquisa estudando a uso de água na produção de tilápia, por se tratar de um dos peixes mais produzidos no País e com o setor mais organizado dentro da atividade aquícola, o que deverá favorecer a meta de determinação de um modelo de cálculo de pegada hídrica a ser aplicado e estendido a outros segmentos dentro da atividade”, pontua.

Para a realização do trabalho estão sendo coletadas informações junto a produtores da região do Vale do Paraíba, que produzem tilápia em viveiro escavado. A ideia é determinar o quanto de água se utiliza para a produção dos organismos aquáticos, processamento e consumo.

O levantamento dessas informações será importante para que os diversos elos da cadeia de produção, como produtores rurais, empresas produtoras de ração, indústrias de filetagem e processamento, rede de supermercados e consumidores, saibam o impacto do uso de água em cada parte do processo e encontre formas para diminuir o consumo. A ideia é que as informações também sirvam de subsídios à governança da atividade dentro de um cenário de responsabilidade na aquicultura.

“No caso da produção de carne, por exemplo, há uma grande variação nos números, pois depende do sistema produção do gado, se é em confinamento ou a pasto, por exemplo. Este estudo busca desmitificar um pouco esses dados, que se interpretados de forma errada, podem comprometer a imagem de toda uma cadeia de produção”, explica Lombardi.

Segundo o pesquisador, existem algumas falhas de interpretação na metodologia proposta para cálculos de pegadas hídricas, que podem levar a resultados numéricos extremamente altos. A equipe do Instituto de Pesca vem identificando estas falhas e está fazendo uma análise crítica de algumas fórmulas de cálculo, a fim de produzir resultados mais reais.