Notícia

Folha de Londrina online

Projeto prevê aproveitamento de 100% da cana para o álcool

Publicado em 05 março 2006

Hoje, combustível é extraído apenas do caldo. Novo processo aproveita também o bagaço e a palha da cana de açúcar

A pouco mais de 200 quilômetros de São Paulo, no município de Pirassununga, está a unidade de dimensão semi-industrial, com capacidade para produção de 5 mil litros por dia, onde, há duas safras, o bagaço, subproduto da moagem da cana (rico em material celulósico), é transformado em álcool. É um projeto piloto e inédito, sem literatura ou experiência de engenharia básica. A idéia surgiu na década de 80, dentro da Dedini. O conceito central é o de aproveitar 100% da cana.
Ao contrário do que se imagina, a competitividade do álcool brasileiro no mundo se dá com o aproveitamento de apenas 1/3 de seu potencial. É do caldo que sai hoje o combustível, cujo custo equivalente em barril de petróleo está próximo de US$ 43. O barril de petróleo tem um preço que hoje supera US$ 60. E a comparação nem é essa. Ninguém põe óleo cru no tanque do carro.
O processo de refino consome algo entre US$ 8 e US$ 10 por barril, o que dá à cana vantagem ainda maior em relação ao petróleo. Mas o projeto que é tocado em Pirassununga, cuja meta é saber como construir uma unidade para 50 mil a 60 mil litros de álcool por dia, tem em si potencial para elevar ainda mais a produtividade por hectare de cana.
O processo, patenteado com o nome de Dedini Hidrólise Rápida (DHR), pode dar ao setor sucroalcooleiro a capacidade de processar os outros 2/3 de energia contidas na cana-de-açúcar: o bagaço (hoje mal aproveitado para a geração de energia elétrica) e a palha, a mesma que vira cinza em queimadas feitas para o preparo do corte manual ou que se transforma em cobertura de solo no corte mecanizado.
Os cálculos preliminares feitos pelos participantes do projeto DHR (integrado por Dedini, Centro de Tecnologia Canavieira - CTC e FAPESP) indicam que o aproveitamento integral da cana, inclusive com a otimizações do processo de queima de bagaço para geração de energia, é capaz de produzir 12.050 litros de álcool por hectare de cana cortada.
A média da cadeia sucroalcooleira atualmente é da ordem de 6,5 mil litros por hectare de cana cortada. A conversão do material celulósico do bagaço e da palha em açúcares, e estes fermentados e destilados para a produção de álcool, é algo que pode mudar o cenário brasileiro de fabricação de etanol.