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Diário do Povo

Projeto pioneiro prevê redução de aplicações de vacinas em recém-nascidos

Publicado em 09 janeiro 2004

Por DELMA MEDEIROS
Um projeto iniciado em Campinas prevê a redução do número de injeções de vacinas em recém-nascidos. Trata-se da "Avaliação da Imunogenicidade e Segurança da Vacina Combinada BCG e Hepatite B em Crianças", que prevê aplicação única da primeira dose das duas vacinas. O projeto pioneiro, desenvolvido em parceria pelo Centro de Atenção Básica à Saúde da Mulher (Caism) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Maternidade de Campinas e Instituto Butantã, vai avaliar um grupo de 320 bebês, dos quais 160 receberão a vacina combinada e outros 160 a forma convencional, com aplicações separadas. Segundo a coordenadora do projeto, a imunologista Maria Marluce dos Santos Vilela, o objetivo é avaliar se a vacina combinada tem a mesma ou maior eficácia na imunização das crianças. A médica explica que a avaliação, iniciada dia 6 último e com previsão de conclusão em dezembro, será desenvolvida em etapas que incluem recebimento da primeira dose combinada; visitas domiciliares para aplicação das doses subsequentes contra hepatite B (três doses), e para coleta de sangue para análise, compilação de dados, análise estatística e conclusão. Para o projeto de pesquisa são selecionados bebês de mães moradoras de Campinas, que tenham feito pré-natal, apresentem sorologia negativa para hepatite, HIV e sífilis e com gestação de termo (nove meses). "Trata-se de uma pesquisa científica e para obtermos resultados confiáveis temos que avaliar um grupo que atenda critérios específicos", frisa Marluce. O processo é todo documentado. A aplicação da vacina combinada consta nas carteiras de vacinação dos bebês. A medida visa informar os profissionais da rede básica que essas crianças não devem receber as doses restantes contra hepatite na unidade de saúde, mas sim na própria residência, aplicada pela equipe do projeto. Vantagens Além de reduzir a quantidade de picadas recebidas pelos bebês — até 1,8 ano, a criança recebe cerca de 16 vacinas por injeção —, e o custo da aplicação (tempo, agulha e seringa), a vacina combinada colabora para universalizar a cobertura vacinal, reduzindo a transmissão vertical da hepatite B e o desenvolvimento de tuberculose grave na infância, avalia Marluce. "Além disso, a criança já sai da maternidade vacinada contra as duas doenças e só precisa ir ao posto de saúde um mês depois para receber a segunda dose contra hepatite B". Na forma convencional, o bebê recebe a vacina contra hepatite B na maternidade, mas têm que ir ao Centro de Saúde para tomar a BCG (contra tuberculose). A médica acrescenta que os resultados em animais mostraram que a vacina combinada é mais eficaz que a convencional. Se os mesmos resultados forem constatados em humanos, a nova modalidade vacinal deve ser estendida para todo o País. As mães apóiam a novidade. "É bem legal, causa menos sofrimentos aos bebês", afirma Karina Dias da Silva, mãe de Ana Clara, um dos bebês participantes do projeto. A vacina combinada tem apresentação em frasco único e foi desenvolvida pelo pesquisador Isaias Raw, diretor do Centro de Biotecnologia do Instituto Butantan. O projeto é financiado pelo Butantan, Unicamp e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A médica explica que a vacina combinada, como a BCG, é aplicada de forma intradérmica (a de hepatite é intramuscular), mas explica que sua fórmula não contém hidróxido de alumínio, o que tornaria desaconselhável esta forma de aplicação.