Notícia

Diarioweb (São José do Rio Preto)

Projeto permite que deficiente use internet

Publicado em 12 setembro 2009

Por Vívian Lima

Oferecer aos deficientes visuais a chance de ler em braile o conteúdo da internet em tempo real. Em busca desse objetivo estão dois professores do Departamento de Ciências da Computação e Estatística da Unesp de Rio Preto. Os pesquisadores Mário Luiz Tronco e José Márcio Machado trabalham no desenvolvimento de um equipamento capaz de captar o texto da internet e convertê-lo para o alfabeto braile. Os primeiros experimentos já validaram o que no início de 2008 era só ideia. "A ideia já está validada. A segunda fase foi montar o protótipo. Agora estamos testando e fazendo adaptações", diz Tronco. O sistema funciona da seguinte maneira: o usuário conecta o seu computador à internet. Em seguida um software captura o texto e envia comandos para o equipamento idealizado pelos pesquisadores, chamado console. Dentro do console há uma microcontrolador.

Essa peça pega as informações recebidas e gera sinais que movimentam pequenas hastes metálicas. São essas hastes que, em alto relevo, formarão as letras do alfabeto braile em placas (uma espécie de teclas) enfileiradas. Os caracteres em braile aparecem em sequência, formando palavras. O console feito pelos pesquisadores conta com dez teclas de leitura. Ainda não houve testes com deficientes visuais. "É o usuário quem vai dizer o que gosta ou não, qual será o número ideal de placas", diz Machado. Alunos de graduação e mestrado já se envolveram e deram suas contribuições para o projeto. "Pensamos em aliar computação gráfica, automação, robótica e utilidade social", conta Machado. Além dos testes para estabilizar o protótipo e deixá-lo mais próximo do ideal, os pesquisadores buscam elaborar um outro dispositivo capaz de "traduzir" imagens para os deficientes visuais.

A intenção é elaborar uma base quadrada de 40 centímetros, com 10 mil pequenos orifícios. Por esses orifícios subirão hastes metálicas que irão formar o contorno de figuras simples. "Se você tiver a imagem de um cachorro, por exemplo, o usuário vai poder sentir o contorno dele", diz Tronco. O objetivo é que a matriz de imagem sirva também para representar sinais e gráficos de funções matemáticas. O trabalho dos pesquisadores da Unesp tem o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Os deficientes visuais que hoje contam com recursos de áudio para usar o computador, se animam com a possibilidade de uma nova ferramenta. "Eu adoro ler em braile", diz Doraídes Pereira, 51 anos. "Hoje é impossível ficar longe do computador", diz a professora Sirlei Montes, 42 anos.