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Correio Popular online

Projeto leva conceitos de nanociência para crianças

Publicado em 29 março 2005

Um circo tecnológico, criado por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), vai viajar pelo Brasil para disseminar, para as crianças, conceitos e conhecimentos sobre a nanociência, uma área onde tudo se mede numa escala de um milhão de vezes menor que um milímetro. O Circo das Ciências, que consumiu R$ 2 milhões em investimentos, está sendo montado no Parque Portugal, ao lado do Planetário, propondo aos estudantes uma aventura tecnológica (uma nanoaventura), que mescla animação, filmes, teatro e jogos eletrônicos.
O Circo das Ciências será inaugurado no dia 4 de abril, em uma solenidade destinada a apresentar o projeto aos financiadores, parceiros e comunidade. Já no dia seguinte será desmontado e levado para o Rio de Janeiro para sua primeira demonstração no 4º Congresso Mundial de Centros de Ciência, de 11 a 17 de abril. Depois voltará para Campinas, onde permanecerá até junho. Na seqüência, em julho, irá para Fortaleza, para ser apresentado no congresso anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).
A tenda tecnológica, que tem como modelo visual a estrutura atômica do carbono, é o primeiro projeto do Museu Exploratório de Ciência, que está sendo planejado pela universidade para ser um espaço capaz de divulgar a ciência com qualidade e de tornar-se um pólo de lazer e turismo referência nacional e internacional.
O Circo das Ciências, diz o coordenador do projeto, Marcelo Knobel, será o cartão de visitas para atrair investimentos para a implantação do Museu Exploratório de Ciências.
A proposta é levar a ciência a várias partes do País, com um aparato tecnológico, em que os jovens possam participar de jogos educacionais com conteúdos sobre nanociência e nanotecnologia, mas de forma lúdica.
O projeto é uma parceria entre a Unicamp, o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron, o Instituto Sangari e a Prefeitura Municipal de Campinas. Conta ainda com apoio da Fundação Vitae e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
Os jovens poderão participar de quatro jogos eletrônicos. Um deles é um passeio pelo Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS). O jogo está estruturado para que 12 crianças participem simultaneamente, escolhendo seus personagens, os avatares. No jogo, ela se encontra com um professor que vai levá-la para visitar uma experiência em microscopia, que é a fabricação de nanofios de ouro, informa o pesquisador do LNLS, Régis Neuenschwander. Cada jogo dura 10 minutos.

Célula doente
Os jogos propõem, ainda, na área de fármacos, por exemplo, encontrar a molécula capaz de destruir uma célula doente. Ou então a produzir nanocomponentes ou ainda a limpar uma amostra, retirando átomo por átomo usando microscopia de força atômica.
Os estudantes, informa Knobel, percorrerão, nos jogos eletrônicos, laboratórios reais e acompanharão experiências também reais que acontecem nos laboratórios. "Queremos que as crianças entrem no mundo da nanociência e por isso fugimos da ficção científica. Queremos que elas aprendam como um cientista faz nanociência no mundo real", informa Knobel.

Unicamp pretende implantar Museu Exploratório
A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) planeja implantar um Museu Exploratório de Ciência, para tornar-se um espaço capaz de divulgar a ciência com qualidade e transformar-se em um pólo de lazer e turismo referência nacional e internacional. Sem os recursos necessários, já que os primeiros estudos indicam investimentos de R$ 20 milhões, a universidade está optando por implantar projetos menores que possam atrair parceiros, como é o caso do Circo da Ciência.
O local de construção do Museu Exploratório poderá ser o Parque Portugal (Lagoa do Taquaral), onde funciona o Museu Dinâmico de Ciência, uma parceria entre a universidade e a Prefeitura de Campinas. A grande atração do Museu Dinâmico de Ciências é o Planetário, abrigado em uma cúpula de 8 metros de diâmetro, que projeta aproximadamente seis mil estrelas, o Sol, a Lua, planetas, estrelas cadentes, cometas, satélites artificiais, Júpiter, o Sistema Solar, a Via Láctea e a Galáxia de Andrômeda. Outra alternativa de local estudada é junto à Estação Guanabara, onde a universidade vai instalar um Centro Cultural.
A intenção da universidade é que o futuro museu seja um espaço de educação e comunicação pública das ciências, além de promover e subsidiar o debate de questões de relevância social pautadas por conteúdos científicos relevantes.
Os estudos que estão sendo realizados para a implantação desse projeto indicam que o museu deverá ocupar uma área de 15 mil metros quadrados. Nessa área, o principal espaço será destinado a exposições e terá um acervo baseado na construção de experimentos que permitam expor os conceitos em questão, permitindo ao visitante participar ativamente. Será um museu interativo, com a meta de ser fundamentalmente inclusivo, de lazer, educativo. (MTC/AAN)