Notícia

Gazeta do Povo

Projeto do eucalipto começará em 15 dias

Publicado em 10 novembro 2001

Por Janaína Simões
Objetivo é identificar os genes que permitam melhorar a espécie São Paulo, (AE) - O PROJETO QUE SEQÜENCIARÁ o genoma do eucalipto será lançado em duas semanas, com a assinatura do contrato de parceria entre o consórcio que financiará parte da pesquisa e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A informação foi divulgada esta semana por José Fernando Perez, diretor científico da Fapesp, durante uma apresentação sobre o Projeto Genoma na Federação do Comércio do Estado de São Paulo. Quatro empresas do setor de papel e celulose vão participar do o que tem sua primeira fase estimada em US$ 1 milhão: Votorantim, Ripasa, Duratex e Suzano. Ele seguirá os moldes do trabalho que a Fapesp desenvolveu para fazer o seqüenciamento do conjunto de genes da Xylella fastidiosa, bactéria causadora do amarelinho, doença que afeta os laranjais. Em ambos, houve parceria com entidades da iniciativa privada, que custearam uma parte dos estudos. OBJETIVO O objetivo da pesquisa é identificar genes que possam ser usados no melhoramento do eucalipto, como por exemplo, aumentando a qualidade da madeira, a produtividade, ou melhorando a absorção dos nutrientes. Os projetos de seqüenciamento do genoma da Fapesp despertaram o interesse de diversos setores produtivos. Fomos procurados por um grupo que quer fazer o seqüenciamento de genes do boi, disse Perez. O seqüenciamento do amarelinho motivou o interesse do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), que financiou parte da pesquisa, em um futuro projeto do genoma da laranja. Também temos sido procurados por empresas de capital de risco. Cerca de 15 a 20 delas estão em contato com a Fapesp para mapear as oportunidades de negócio, e uma boa parte está interessada em biotecnologia, completou. VANTAGEM COMPETITIVA Vamos ter uma vigorosa indústria de biotecnologia, como tivemos com o caso da Embraer, só que temos mais vantagem competitiva por causa da nossa biodiversidade, previu. Perez também deu um balanço do que já foi obtido com a pesquisa envolvendo o seqüenciamento da Xylella fastidiosa. Essa bactéria não era muito conhecida, e com o projeto genoma, estamos tendo mais informações sobre ela, afirmou. Os pesquisadores brasileiros descobriram, por exemplo, que a bactéria causadora do amarelinho come muito ferro, o que é importante para fazer a cultura da Xylella, ou seja, colocá-la em um meio em que se favoreça sua reprodução e crescimento. Também já estão fazendo alterações genéticas na bactéria e identificando os genes que fazem com que a bactéria provoque a doença nos laranjais.