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Projeto desenvolvido no Amazonas busca identificar efeitos da poluição na atmosfera

Publicado em 19 fevereiro 2014

Por Clarissa Bacellar

MANAUS - Estudos sobre as interações biosfera-atmosfera com detalhes da dinâmica da floresta amazônica fazem parte do programa de pesquisas Green Ocean Amazon (GOAmazon), ou Experimento do Oceano Verde Amazônia 2014. O principal questionamento a ser respondido por pesquisadores de institutos nacionais e internacionais é qual o efeito da poluição sobre o funcionamento da atmosfera. A apresentação do programa aconteceu na noite desta terça- feira (18), no Auditório da Ciência do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

A inciciativa tem um investimento total de R$ 24 milhões, financiado pelas Fundações de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e de São Paulo (Fapesp) e pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos (DOE/EUA). Seis projetos de pesquisas contemplados serão desenvolvidos. A previsão é que os estudos sejam realizados de janeiro deste ano a dezembro de 2015, com medições do efeito da poluição urbana sobre o funcionamento da atmosfera natural e do ecossistema ao analisar os ciclos do carbono e de vida dos aerossóis e das nuvens.

Com as pesquisas será possível entender como o clima é afetado pela presença do homem e pela dinâmica da floresta. Uma mesa redonda técnica foi composta por especialistas brasileiros e estrangeiros para discutir as estratégias e importância do projeto para ambos os países, em um esforço conjunto. Jeff Chambers, do Lawrence Berkeley National Laboratory, avaliou que é importante conhecer as interações com efeitos no clima e mudanças climáticas e como as florestas vão mudar no futuro.

De acordo com a diretora presidente da Fapeam Maria Olívia Simão, esse é um estudo integrado para conhecer o microclima influenciado pelas áreas urbanas da região amazônica. "Um dos nossos objetivos também é a formação de recursos humanos no Amazonas para essa área, para se dedicarem a esses estudos", complementou.

Visitas aos municípios e equipamentos

Atualmente a principal meta, segundo Maria, é instalação dos equipamentos para a fase analítica. Nesta quarta-feira e quinta-feira (19 e 20, respectivamente) estão previstas visitas técnicas dos pesquisadores integrantes do GOAmazon aos municípios de Iranduba, no hotel Tiwa, e de Manacapuru, na Fazenda Agropecuária Exata S/A. Os municípios abrigam parte da estrutura física do projeto, composta por 11 contêineres -laboratórios equipados com um conjunto de sensores -, que estão em fase final de instalação.

Ainda há outros dois locais que se completam e quando integrados fornecerão as informações necessárias para o desenvolvimento do GOAmazon: o Observatório com Torre Alta da Amazônia (Projeto ATTO), localizado a 150 km a nordeste de Manaus na RDS-Uatumã; e a Reserva do Cuieiras do Inpa, localizada 50 km ao norte de Manaus, na ZF2 (BR-174). Também serão utilizadas duas aeronaves e dois balões cativos que servirão para coletar dados adicionais.

O representante da Fapesp, Reinaldo Victoria, garantiu que a intenção é dar continuidade ao projeto. "Foi uma das primeiras chances em que houve um acordo fortuito entre o Doe, a Fapesp e a Fapeam para produzir ciência no Amazonas de uma maneira que integrasse as fundações. A Fapesp vê como uma algo extremamente importante por compartilharmos recursos para fazer pesquisa em uma área que realmente é de interesse estratégico para o País", afirma.

Projetos

De acordo com o pesquisador do Inpa, uma das instituições parceiras, Niro Higuchi, entender a interação entre a Floresta Amazônica e a atmosfera é extremamente relevante. "Tentamos entender o papel da floresta nessas mudanças e quais os efeitos podem afetar a floresta amazônica". De acordo com Higuchi, nesta pesquisa serão levadas em consideração a fisiologia da planta e a química da atmosfera.

Para o pesquisador o GOAmazon significa formação de pessoal. "Essa é uma questão relevante para nossa região. Acho que projetos com essa envergadura, com a participação ativa das instituições [Fapeam, Fapesp e DOE] fortalecem demais o sistema de capacitação e capacitação da Amazônia".

Além do Inpa, as Universidades do Estado do Amazonas (UEA) e Federal do Amazonas (Ufam), de São Paulo (USP), de Harvard, os Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de Espaço e Aeronáutica (IAE/BRA) e Max Planck de Química (MPIC/Alemanha) também são parceiros.

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