Notícia

Nippo-Brasil

Projeto desenvolve leite funcional

Publicado em 19 janeiro 2011

Você já imaginou tomar um leite que contenha componentes capazes de melhorar a saúde, além de possuir os nutrientes importantes para o organismo? Saborear uma manteiga e um queijo com uma composição mais saudável? Oferecer às crianças um iogurte que auxilia o crescimento e aumenta a resistência às doenças? Esses benefícios estão sendo buscados com o programa Leite Funcional, desenvolvido por pesquisadores do Polo Centro Leste, da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), órgão vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento, e da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto (SP). Os estudos envolvem as áreas de zootecnia, nutrição e saúde humana com o objetivo de modificar a composição do leite, por meio da ração da vaca, tornando-o mais saudável ao homem.

O leite é um dos itens mais importantes na alimentação humana por fornecer quantidades de nutrientes fundamentais ao organismo. No entanto, a pesquisadora Márcia Saladini Vieira Salles, dp Polo Centro Leste, aponta que a composição básica do leite bovino é direcionada para suprir as necessidades nutricionais dos bezerros. Essa composição pode ser alterada de modo a tornar o leite um alimento muito mais apropriado para a nutrição humana.

Experimentos

As pesquisas começaram no final de 2009, na Fazenda Experimental de Zootecnia do Polo Centro Leste, financiadas pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado (Fapesp). As vacas leiteiras foram alimentadas com dieta enriquecida com óleo vegetal, selênio e vitamina E. O óleo vegetal foi incluído para alterar o perfil dos ácidos graxos do leite e para que passe a conter gordura mais saudável para o organismo humano. Já o selênio e a vitamina E agem como antioxidantes, protegendo as membranas celulares contra substâncias tóxicas e radicais livres, que aceleram o processo de envelhecimento e desencadeiam algumas formas de carcinogênese.

O leite produzido no experimento foi consumido por crianças do ensino integral público da cidade de Casa Branca (SP), que tiveram o crescimento e os parâmetros bioquímicos no sangue avaliados. Nos resultados obtidos até agora, as crianças que tomaram o leite funcional apresentaram maior concentração de vitamina E e de selênio, e aumento do colesterol HDL, que é benéfico à saúde. Os demais dados ainda estão sendo compilados. Já entre os bovinos, os pesquisadores observaram que a nova composição da ração trouxe aos animais benefícios para saúde da glândula mamária e contribuiu para menor incidência de mastite subclínica. Também foram verificados maior média de produção leiteira e menor teor de gordura no alimento.

O segundo experimento do projeto será realizado este ano em colaboração com pesquisadores da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA/USP), em Pirassununga (SP), e médicos da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP/USP). Nesta fase, serão estudadas a inclusão de níveis maiores do óleo vegetal, de selênio e de vitamina E na dieta das vacas leiteiras, bem como o efeito dessa ração na saúde desses animais e na qualidade do leite. Ao mesmo tempo, será verificada a influência na alimentação e na saúde de idosos que receberão o leite modificado.

``Para os animais leiteiros, a possibilidade é a de melhorar o sistema imunológico e diminuir a incidência de doenças, como a mastite``, explica Márcia Saladini. ``Para o produtor rural, a possibilidade é a de produzir um leite de melhor qualidade e de maior valor agregado. Para os processadores e distribuidores da cadeia de produção, a oportunidade é a de agregar valor e vender um produto diferenciado. E, para os consumidores, a oportunidade é a de consumir um produto mais nutritivo e saudável``, conclui a pesquisadora. (Redação NB, com informações da Apta)