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Projeto de startup utiliza inteligência artificial para melhoria na colheita de café

Publicado em 26 julho 2021

A startup de inteligência artificial Adroit Robotics inicia um novo projeto financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) para a aplicação da tecnologia Leafsense na cultura do café. O intuito é criar um aliado na hora de saber qual o momento exato de colher os grãos de qualidade.

Plinio Thomaz Aquino Jr., diretor de pesquisa da empresa, destaca que a expectativa é que ao término deste projeto se obtenha resultados consistentes. “Queremos possibilitar a detecção do ponto de maturação dos frutos e a presença de pragas utilizando sensores, visão computacional e softwares inteligentes, permitindo a total automatização e aplicação em escala comercial nos cafezais”, destaca.

Como será o projeto

A pesquisa possui duração de 24 meses e tem como objetivo desenvolver tecnologias para o monitoramento contínuo e automático da evolução de lavouras da cultura. Assim, disponibilizará informações que permitam aos cafeicultores tomar decisões de manejo mais rápidas e assertivas.

Serão utilizados sensores capazes de coletar imagens de alta resolução, montados nos tratores e máquinas agrícolas durante suas operações normais de manejo, de forma a garantir periodicidade e automatização no monitoramento. “Os dados coletados são enviados, serão processados e disponibilizados para o cafeicultor de maneira muito rápido, alguns dias ou menos”, acrescenta.

O acompanhamento contínuo das características das folhas das plantas, outra funcionalidade pesquisada, permite a detecção de anomalias de crescimento e produtividade, que podem ser indícios de deficiência de nutrientes ou pragas como a ferrugem, cercosporiose, bicho mineiro, ácaro vermelho e outras, comuns à cultura. “Conhecendo-se o foco de tais anomalias, os cafeicultores podem tomar ações mais precisas e em fases ainda precoces, permitindo maior eficiência no uso de insumos e melhor controle no alastramento de pragas”, explica Plinio Thomaz.

O projeto conta com o apoio e consultoria de Samuel Giordano, doutor em engenharia agronômica, Senior Lecturer do Pensa Agribusiness Knowledge Center - FIA-USP e professor coordenador da Universidade do Café. Para ele, um dos pontos altos da pesquisa será a mudança de como o cafeicultor se programa para colher. Isso diz respeito ao estágio de maturação dos frutos, importante parâmetro na qualidade do café. Conhecendo-se o grau é possível determinar o melhor período para a colheita, bem como configurar o maquinário de modo que eles extraiam apenas os grãos maduros. “Quanto mais vermelhos, completamente desenvolvidos e maduros, melhor será o café, mais qualidade ele vai obter após as técnicas de secagem e pós-colheita”, afirma o professor doutor.

Ainda segundo o especialista, a tecnologia da Adroit será de grande relevância, pois dará o “start” de colheita. “Hoje o produtor colhe com informações subjetivas. A avaliação é feita visualmente por amostragem. Um funcionário ou ele próprio verifica os talhões e como estão os frutos. O risco é alto para erros. Com a tecnologia Leafsense ele será preciso, mais assertivo”, explica Giordano.

A cada safra utilizando a inteligência artificial da startup, o cafeicultor além de conseguir precisar a hora correta de colher cada ponto do cafezal, formará um rico banco de dados, fornecendo datas e confirmando os períodos mais críticos de colheita. O professor acredita que a ferramenta deve proporcionar de 30% a 40% mais qualidade no café colhido.

Mais informações: www.adroitrobotics.com