Notícia

Jornal do Comércio (RS)

Projeto de semicondutores terá R$ 12 milhões na informática

Publicado em 21 junho 2005

Por Patricia Knebel
Porto Alegre está entre as quatro cidades que receberão as unidades de criação de circuitos integrados

O Programa Nacional de Projetos Semicondutores (CI-Brasil), que tem como meta desenvolver o setor de microeletrônica brasileiro, foi lançado oficialmente ontem pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos, em Recife (PE). O projeto prevê a criação de unidades de projetos de circuitos integrados, conhecidos como Design Houses. Inicialmente os centros de projetos serão implantados em Recife, Campinas (SP), Porto Alegre (RS) e Manaus (AM).
Na primeira fase do programa, serão investidos cerca de R$ 12,1 milhões para a capacitação de recursos humanos, bolsas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), agência de fomento à pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, e infra-estrutura, entre outros. "Este programa será importante para possibilitar o desenvolvimento da engenharia de produto de bens finais no Brasil, com foco em sistemas do complexo eletrônico. Ele também vai fortalecer os parques tecnológicos com foco em segmentos diversos do complexo eletrônico", avalia o secretário de Política de Informática do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Marcelo Lopes.
Segundo ele, além de estimular a constituição de DH brasileiras, o objetivo é atrair para o Brasil uma parcela das atividades de projetos de Circuitos Integrados (CIs) desenvolvidas internacionalmente por empresas do setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), fabricantes de componentes semicondutores, ou mesmo, empresas internacionais independentes especializadas em design.
O Rio Grande do Sul é um dos estados que está liderando este processo, já que estas unidades de projetos fazem parte do Centro de Excelência em Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec). Atualmente, elas estão funcionando provisoriamente na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Pucrs), com recursos que já haviam sido repassados anteriormente. A estimativa é de que nos próximos dias poderá ser fechado um contrato para desenvolvimento de projetos em microeletrônica para uma empresa brasileira.
De acordo com presidente do Ceitec, Sério Dias, a etapa atual é de escolha da empresa que irá fornecer os softwares. "Já temos os equipamentos e estamos em negociações com a Synopsis e Cadence, companhias americanas e umas das únicas a fornecerem programas para o segmento de microeletrônica no mundo", diz. Como o custo para a compra destes softwares é bastante elevado, poderá ser feita uma negociação junto ao governo para que essa empresa venha a fornecer para os quatro centros que serão instalados no Brasil e, desta forma, consiga oferecer melhores condições de preço. A previsão é de que no final de 2006 o Ceitec entre em funcionamento e os circuitos integrados (chips) comecem a ser confeccionados. A obra total está avaliada em R$ 148 milhões.
Empresa de hospedagem de sites quer crescer no Estado
Enquanto o número de empresas formalmente registradas no Brasil ultrapassa os cinco milhões, dados da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) apostam que existem apenas 740 mil domínios na internet brasileira. Na prática, esta é uma grande oportunidade de negócios para as empresas que atuam com hospedagem e elaboração de sites.
A LocaWeb, considerada uma das maiores empresas em hospedagem de sites no Brasil e com mais de 80 mil domínios registrados, tem como foco ampliar o seu mercado, principalmente na Região Sul. A empresa, que em 2001 tinha 41 funcionários, passou para 150 no ano passado e 200 este ano. A demanda acompanha o próprio crescimento no número de registros solicitados, que há quatro anos era de 18 mil.
Uma das estratégias para que isto aconteça, de acordo com o diretor de novos negócios da empresa, Gilberto Mautner, é modificar a cultura de parte dos usuários de que, para ter um site na rede mundial, é preciso conhecimentos técnicos e muitos investimentos. "A internet ainda é um pouco fechada do ponto de vista de se fazer negócios e queremos modificar este ponto de vista", avalia. Uma das ferramentas desenvolvidas pela LocaWeb para se aproximar dos usuários é o Construtor de Site, que permite que eles possam ter uma página sem custos de desenvolvimento, pagando apenas a hospedagem de R$ 29,00 por mês. A solução, voltada para os micros e pequenos empresários, conta, depois de algumas semanas no ar, com 1,3 mil usuários cadastrados e 4,6 mil pessoas utilizando o teste.
Mautner afirma que a LocaWeb detem atualmente 16% de participação no mercado de São Paulo, onde fica sua sede. Na Região Sul, este índice é de 6%. "Existe um potencial enorme no Sul do País. O Rio Grande do Sul, por exemplo, é um estado muito desenvolvido e um grande consumidor de novas tecnologias", avalia.
A diferenciação do serviço prestado pela empresa, segundo ele, se dá principalmente a partir da experiência da empresa no mercado de hospedagem. "Temos escala e uma visão mais global do que é este mercado. Estamos em contato com as novas tendências e temos uma equipe focada no desenvolvimento de novos produtos", observa. Além das soluções em Internet Data Center, a empresa está entrando também no segmento de telecomunicações, através do LocaWeb Telecom, com sistemas como portal e voz baseados em serviços de VoIP para PABX.