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Projeto de pesquisa com anestésicos locais continua rendendo teses e patentes

Publicado em 09 abril 2010

Em junho de 2007, o Jornal da Unicamp noticiou o depósito do pedido de patente de um anestésico "inteligente" com ação prolongada e de uso tópico para procedimentos odontológicos. A liberação do fármaco é feita de forma sustentada e aplicada em gel, antes da anestesia injetável, evitando que o paciente sinta a dor da picada da agulha. A nova formulação foi desenvolvida por uma equipe do Laboratório de Biomembranas do Instituto de Biologia (IB) em colaboração com pesquisadores da Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP), ambas as unidades da Unicamp.

De lá para cá, este projeto temático da Fapesp atraiu a cooperação de um grupo da Unesp de Sorocaba, enquanto pesquisadores formados dentro dele foram prosseguir com estudos na mesma linha em outras instituições. "Desenvolvemos quatro patentes, duas delas já trabalhadas com uma indústria farmacêutica nacional, embora ainda não tenham se tornado economicamente viáveis para o mercado. No ano passado, chegamos a outra formulação de uso tópico que pode resultar em novo produto", afirma a professora Eneida de Paula, do IB, que coordena o projeto.

Segundo a coordenadora, um workshop realizado nesta sexta-feira (09), na Unicamp, serviu para que os pesquisadores apresentassem os resultados de 2009 até abril deste ano e que serão reportados à Fapesp. "Durante o ano foram desenvolvidas pelo menos três teses, sendo que têm sido publicados vários trabalhos com formulações interessantes para a indústria. Como estamos prestes a iniciar dois novos braços da pesquisa e ela tem sido muito frutífera, pensamos em pedir a prorrogação do projeto temático, cujo término está previsto para abril de 2011".

Eneida de Paula esclarece que o objetivo do grupo não é o desenvolvimento de novos anestésicos locais (injetáveis ou aplicáveis na pele, afora os inaláveis), mas o melhoramento daqueles já existentes no mercado. "Buscamos novas formulações farmacêuticas que prolonguem a ação e diminuam a toxidade. O trabalho que fazemos tem a ver com nanobiotecnologia, que é o desenvolvimento de sistemas de carreamento de fármacos em geral e, em nosso caso particular, de anestésicos".