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Projeto da Fiocruz e UFMG vence etapa internacional

Publicado em 19 abril 2005

Gerenciado pela Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep), o projeto científico para estudar a varíola bovina, doença registrada em rebanhos das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Norte do Brasil, ficou em primeiro lugar na lista dos projetos que receberão financiamento pelo Instituto Nacional dos Estados Unidos (NIH). O desenvolvimento será por equipe de pesquisadores do Centro de Pesquisa René Rachou (CPqRR), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

O projeto Fiocruz-UFMG concorreu com outros 13 projetos internacionais e receberá US$ 100 mil do International Collaboration in Infectious Disease Research (ICIDR), que é o programa do NIH voltado para os estudos sobre doenças tropicais. Os cientistas da Fiocruz e da UFMG têm o propósito de tentar detectar, isolar e caracterizar o tipo de vírus causador da doença no país. 'O vírus que iremos isolar foi utilizado na produção de vacinas durante a campanha de erradicação da varíola humana, nas décadas de 1960 e 1970', explicou o coordenador da pesquisa, Flávio Guimarães da Fonseca, em entrevista à Agência Fapesp.

'Trata-se de um vírus de laboratório que não deveria estar na natureza. De alguma forma, ele escapou e se adaptou em algum organismo que ainda não conhecemos', completou. A varíola bovina não é uma 'doença fatal'. Ela atinge, primeiro, o gado, e depois, os seres humanos. Flávio da Fonseca esclareceu à Agência Fapesp que a contaminação ocorre no contato com as feridas provocadas pela doença nas mamas dos animais. 'Quando a infecção ocorre, os sintomas como febre e dor são tratados com antibióticos e, normalmente, ela some dentro de 15 a 20 dias'. Acrescenta que o principal desafio do estudo será identificar os prováveis hospedeiros que conseguem manter o vírus em atividade.

A escolha da comissão científica do NIH se deu pelo mérito científico da pesquisa, pelo impacto social do estudo e após entrevista com os pesquisadores, salientou a Agência Fapesp.