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Projeto da EESC-USP leva à instalação de unidade de compostagem na VW

Publicado em 15 agosto 2007

As sobras de alimentos do restaurante e os restos de material de jardinagem da fábrica de motores da Volkswagen, em São Carlos, estão sendo usados em uma unidade descentralizada de compostagem aeróbia instalada na própria empresa.  "O resultado da compostagem é um produto que pode ser utilizado como condicionador de solo que, apesar de não substituir o fertilizante químico, é muito rico em matéria orgânica", relata o professor Valdir Schalch, do Departamento de Hidráulica e Saneamento da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP.  O material pode ser usado para adubar as árvores e plantas da área verde ao redor da fábrica que tem cerca de 280 mil metros quadrados (m²).

O projeto, atualmente em escala piloto, foi iniciado há 4 meses.  Nesse tipo de compostagem é preciso revolver os resíduos para a entrada de oxigênio no material.  Cerca de 300 a 400 quilos de restos de alimentos (sobras do preparo e das refeições) são descartados diariamente no restaurante.

Idéia é tratar todos os resíduos orgânicos gerados nas instalações da fábrica

As sobras de alimentos são levadas a uma área coberta na parte exterior da fábrica, com cerca de 30 m², onde foram montadas 3 leiras (espécie de canteiros triangulares) com peso entre 400 e 600 quilos cada e altura variando de 70 e 80 centímetros.  Essas leiras foram montadas sobre um piso cimentado de forma a impedir que o chorume - líquido decorrente da decomposição do material orgânico - penetre no solo.

Durante cerca de 90 dias, dois funcionários da fábrica fazem o revolvimento dos resíduos a cada 2 ou 3 dias, a fim de homogeneizar toda a massa e propiciar uma degradação uniforme da matéria orgânica.  Quando a leira fica seca ela é triturada a fim de acelerar o processo.  "Fazemos freqüentemente a análise dos nutrientes, do carbono e do nitrogênio para oferecer condições ideais de sobrevivência às bactérias que estão naquele meio", comenta o professor, que visita semanalmente o projeto.

Schalch explica que o volume do material orgânico acaba sendo reduzido em até 80% porque o nitrogênio é volatilizado durante o processo.  Após 3 meses, o condicionador de solo já está pronto.  "Pretende-se, a partir deste projeto piloto, fornecer subsídios para que a empresa possa implantar uma unidade descentralizada de compostagem com capacidade para tratar todos os resíduos orgânicos gerados nas instalações da fábrica", afirma.

Compostagem na escola

A iniciativa começou a partir de um trabalho iniciado em julho de 2006 pela pesquisadora Luciana Massukado, aluna de doutorado do professor Schalch no Departamento de Hidráulica e Saneamento da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP.  Uma vez por semana, são coletadas as sobras de alimentos em 60 residências de um bairro de São Carlos.  Os resíduos são encaminhados a uma escola da cidade onde foi instalada uma unidade descentralizada de compostagem.  O condicionador de solo resultante é usado para adubar a horta local e também é distribuído aos moradores participantes.

"A Volkswagen soube desse projeto e nos procurou para instalar uma unidade de compostagem semelhante na própria fábrica", esclarece o professor, lembrando que a montadora têm o certificado ISO 14001 (gestão ambiental).  "A nossa idéia era exatamente expandir o projeto da compostagem na escola para outros locais."

Composto é muito rico em matéria orgânica

O projeto de Luciana começou em julho de 2006 e tem previsão para terminar em 2008.  O custo de implementação deste pátio de compostagem foi de R$10 mil considerando uma área de 100 m2.  A pesquisadora conta com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Mais informações:

(0XX16) 3376-1535 ou e-mail lumassukado@yahoo.com.br, com a pesquisadora Luciana M. Massukado

Valéria Dias

valdias@usp.br

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