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Projeto cria rede de cidades inteligentes para o Brasil

Publicado em 29 junho 2020

Por Jornal da USP

Iniciativa da USP reúne universidades brasileiras e do exterior, governos e iniciativa privada para pesquisar e desenvolver tecnologias de IA e IoT

O conceito de cidades do futuro tem evoluído a passos tão largos que, a cada dia, está mais próximo de se tornar parte do presente. O propósito das chamadas smart cities é melhorar a qualidade de vida da população e manter o desenvolvimento econômico através de operações urbanas mais eficientes, amparadas por internet das coisas e inteligência artificial.

Colaboração: a chave para cidades mais inteligentes

Ao redor do mundo, já é possível encontrar alguns projetos de cidades e bairros inteligentes, como na Holanda e no Canadá. No Brasil, algumas iniciativas nesse sentido também começam a se destacar, como a Smart City Laguna, no Ceará e, mais recentemente, a Inteligência Artificial Recriando Ambientes (IARA), rede de cidades inteligentes que integra cerca de 20 universidades, governos e iniciativa privada.

O projeto é apoiado pelo Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI), via Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), e coordenado pelos professores André Carlos Ponce de Leon Ferreira de Carvalho, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC), da USP em São Carlos e Carlos Renato Francês Lisboa, do Laboratório de Tecnologias Sociais da Universidade Federal do Pará.

O objetivo é criar uma rede de pesquisa nacional, com sedes próprias e governança compartilhada, para desenvolver modelos inteligentes de comunicação, energia, mobilidade, saneamento, educação, segurança e lazer. “A rede funciona de forma autônoma, complementar e colaborativa, com vários parceiros e subsedes no Pará, Maranhão, Pernambuco, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e São Paulo. Essa é a primeira vez que academias de várias regiões do país se uniram com empresas e prefeituras para realizar esforço colaborativo e transformar cidades brasileiras em inteligentes”, diz Carvalho.

Os municípios de Canaã dos Carajás (PA) e São Carlos (SP) foram escolhidos para ser pilotos do projeto, e vão receber os primeiros modelos desenvolvidos pelos pesquisadores. Niterói (RJ) e Recife já demonstraram interesse, e devem ser as próximas cidades a integrar a rede.

Brasil dá os primeiros passos rumo a cidades inteligentes

A implantação em larga escala da conectividade 5G é fundamental para que o Brasil avance no desenvolvimento de cidades inteligentes. Esses novos modelos urbanos serão massivamente baseados na captura de dados, e dependem do bom funcionamento de IoT e IA para serem, de fato, eficientes, como explica Carvalho: “Esses dados vão ser transmitidos continuamente em tempo real ao gestor público, facilitando a tomada de decisão e melhorando a qualidade de vida da população”.

O Brasil ainda está engatinhando nesse assunto, e apesar de ter alguns bons exemplos (como o modelo de mobilidade urbana de Curitiba), não possui iniciativas que sejam referência internacional na área. “É preciso que haja uma integração maior entre academia, setor público e empresas, para que as mudanças cheguem à população e ela sinta os benefícios”, conclui Carvalho.