Banco de dados elaborado pelo Centro de Estudos da Metrópole, sediado na USP, abrange pesquisas feitas entre 1940 e 2015 e traz informações sobre a evolução das pesquisas em relação aos temas e quantidade de publicações, além de apontar áreas emergentes de estudos sobre o urbano
Um extenso levantamento bibliográfico que reúne 5.930 pesquisas sobre o tema do urbano em São Paulo, realizadas no período entre 1940 e 2015, estão disponíveis para o público e pesquisadores no banco de dados São Paulo em Teses: Catálogo Bibliográfico. São dissertações de mestrado e teses de doutorado, de livre docência e de provimento de cátedra abrangendo estudos sobre os 645 municípios do Estado de São Paulo, incluindo a capital, que podem servir como ponto de partida para análises e avaliações críticas da produção acadêmica sobre o urbano brasileiro.
O trabalho, disponível para download gratuito neste link em formato Excel (.xlsx), é uma iniciativa do UrbanData-Brasil, um banco de dados bibliográfico sobre as várias dimensões do urbano brasileiro vinculado ao Centro de Estudos da Metrópole (CEM), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), com sedes na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e no Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap).
A líder do projeto é Bianca Freire-Medeiros, professora livre-docente do Departamento de Sociologia da FFLCH e coordenadora do UrbanData-Brasil. Segundo ela, trata-se de um acervo raramente abordado, apesar do crescimento da pós-graduação brasileira e das transformações no perfil dos estudantes no século 21. “Entre 2005 e 2015 produziu-se, em média, três vezes mais teses e dissertações sobre o urbano no Estado de São Paulo do que nos 65 anos anteriores”, ressalta.
“A intenção não é substituir uma aproximação qualitativa, voltada ao conteúdo de cada obra, mas prover dados que sirvam como ponto de partida para análises e avaliações críticas da produção acadêmica sobre o urbano brasileiro”, destacam os autores no documento que explica o histórico.
A base inclui as seguintes informações: autor principal, título, disciplina, ano de publicação, idioma, instituição, localização eletrônica, orientador, programa, referência temporal, gênero do autor, tipo de material e área temática de cada referência bibliográfica. Há também um dicionário que explica cada um desses campos. Além de auxiliar os cientistas que estudam o urbano de forma geral, ou o Estado, em particular, o São Paulo em Teses traz informações sobre a evolução das pesquisas em relação aos temas e quantidade de publicações, mostra as continuidades e aponta áreas emergentes de pesquisa sobre o urbano.
Evolução da pesquisa A base de dados São Paulo em Teses mostra, por exemplo, que a maior parte das pesquisas sobre as cidades paulistas divulgadas como dissertação e tese se deu no campo disciplinar arquitetura e urbanismo (1.042), seguido por sociologia (866) e história (672). Também revelou alguns campos de estudo do urbano emergentes a partir dos anos 2000, como psicologia (133), ciência ambiental (126) e artes (103). Educação (485) e serviço social (280) pertencem a esta lista, mas só aparecem no ranking das disciplinas mais frequentes depois de 2005. Essa análise do eixo disciplinar trouxe à luz a diversidade das pesquisas sobre urbano.
No eixo espacial, que seria a área do Estado de São Paulo, a direção é oposta. Percebe-se a prioridade da capital e sua região metropolitana como objeto dos estudos, algo que atravessa as décadas e se faz presente em todas as áreas do conhecimento: 44% das teses e dissertações tratam do município de São Paulo; 19% do Estado paulista; 9% da região metropolitana e 28% sobre os outros municípios do Estado – Campinas (340), São Carlos (141) e Santo André (107) são os principais.
Ao se observar a evolução das pesquisas por Áreas Temáticas (ATs), observa-se que, no período compreendido entre 1940-1980, as pesquisas focaram, principalmente, o tema Estrutura econômica e mercado de trabalho, seguido por Estrutura regional e metropolitana e Estrutura social. Já no período 1981-1999, a ênfase foi em Modo de vida, imaginário social e cotidiano, mas a AT Pobreza e desigualdade subiu uma posição em relação ao período anterior.
Entre 2000-2015, Modo de vida, imaginário social e cotidiano continua em primeiro lugar, mas há um crescimento significativo de trabalhos acerca de Relações étnico-raciais. As temáticas Espaço urbano e Políticas públicas superam Estrutura econômica e mercado de trabalho, que tinha dominado os períodos anteriores. Também há uma evolução da temática sobre Violência, que entre 1940 e 1969 não tinha sido tema central de nenhuma tese ou dissertação. Em 1970, aparecem cinco indicações bibliográficas sobre o tema, que dá um salto entre 1990 e 2000 – de 37 indicações para 183, mantendo certa estabilidade no período de cinco anos, entre 2010 e 2015, com 191 trabalhos.