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Projeto cataloga mais de cinco mil pesquisas que tratam da questão urbana no Estado de São Paulo (1 notícias)

Publicado em 25 de outubro de 2023

Banco de dados elaborado pelo Centro de Estudos da Metrópole, sediado na USP, abrange pesquisas feitas entre 1940 e 2015 e traz informações sobre a evolução das pesquisas em relação aos temas e quantidade de publicações, além de apontar áreas emergentes de estudos sobre o urbano

Um extenso levantamento bibliográfico que reúne 5.930 pesquisas sobre o tema do urbano em São Paulo, realizadas no período entre 1940 e 2015, estão disponíveis para o público e pesquisadores no banco de dados São Paulo em Teses: Catálogo Bibliográfico. São dissertações de mestrado e teses de doutorado, de livre docência e de provimento de cátedra abrangendo estudos sobre os 645 municípios do Estado de São Paulo, incluindo a capital, que podem servir como ponto de partida para análises e avaliações críticas da produção acadêmica sobre o urbano brasileiro.

O trabalho, disponível para download gratuito neste link em formato Excel (.xlsx), é uma iniciativa do UrbanData-Brasil, um banco de dados bibliográfico sobre as várias dimensões do urbano brasileiro vinculado ao Centro de Estudos da Metrópole (CEM), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), com sedes na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e no Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap).

A líder do projeto é Bianca Freire-Medeiros, professora livre-docente do Departamento de Sociologia da FFLCH e coordenadora do UrbanData-Brasil. Segundo ela, trata-se de um acervo raramente abordado, apesar do crescimento da pós-graduação brasileira e das transformações no perfil dos estudantes no século 21. “Entre 2005 e 2015 produziu-se, em média, três vezes mais teses e dissertações sobre o urbano no Estado de São Paulo do que nos 65 anos anteriores”, ressalta.

“A intenção não é substituir uma aproximação qualitativa, voltada ao conteúdo de cada obra, mas prover dados que sirvam como ponto de partida para análises e avaliações críticas da produção acadêmica sobre o urbano brasileiro”, destacam os autores no documento que explica o histórico.

A base inclui as seguintes informações: autor principal, título, disciplina, ano de publicação, idioma, instituição, localização eletrônica, orientador, programa, referência temporal, gênero do autor, tipo de material e área temática de cada referência bibliográfica. Há também um dicionário que explica cada um desses campos. Além de auxiliar os cientistas que estudam o urbano de forma geral, ou o Estado, em particular, o São Paulo em Teses traz informações sobre a evolução das pesquisas em relação aos temas e quantidade de publicações, mostra as continuidades e aponta áreas emergentes de pesquisa sobre o urbano.

Evolução da pesquisa A base de dados São Paulo em Teses mostra, por exemplo, que a maior parte das pesquisas sobre as cidades paulistas divulgadas como dissertação e tese se deu no campo disciplinar arquitetura e urbanismo (1.042), seguido por sociologia (866) e história (672). Também revelou alguns campos de estudo do urbano emergentes a partir dos anos 2000, como psicologia (133), ciência ambiental (126) e artes (103). Educação (485) e serviço social (280) pertencem a esta lista, mas só aparecem no ranking das disciplinas mais frequentes depois de 2005. Essa análise do eixo disciplinar trouxe à luz a diversidade das pesquisas sobre urbano.

No eixo espacial, que seria a área do Estado de São Paulo, a direção é oposta. Percebe-se a prioridade da capital e sua região metropolitana como objeto dos estudos, algo que atravessa as décadas e se faz presente em todas as áreas do conhecimento: 44% das teses e dissertações tratam do município de São Paulo; 19% do Estado paulista; 9% da região metropolitana e 28% sobre os outros municípios do Estado – Campinas (340), São Carlos (141) e Santo André (107) são os principais.

Ao se observar a evolução das pesquisas por Áreas Temáticas (ATs), observa-se que, no período compreendido entre 1940-1980, as pesquisas focaram, principalmente, o tema Estrutura econômica e mercado de trabalho, seguido por Estrutura regional e metropolitana e Estrutura social. Já no período 1981-1999, a ênfase foi em Modo de vida, imaginário social e cotidiano, mas a AT Pobreza e desigualdade subiu uma posição em relação ao período anterior.

Entre 2000-2015, Modo de vida, imaginário social e cotidiano continua em primeiro lugar, mas há um crescimento significativo de trabalhos acerca de Relações étnico-raciais. As temáticas Espaço urbano e Políticas públicas superam Estrutura econômica e mercado de trabalho, que tinha dominado os períodos anteriores. Também há uma evolução da temática sobre Violência, que entre 1940 e 1969 não tinha sido tema central de nenhuma tese ou dissertação. Em 1970, aparecem cinco indicações bibliográficas sobre o tema, que dá um salto entre 1990 e 2000 – de 37 indicações para 183, mantendo certa estabilidade no período de cinco anos, entre 2010 e 2015, com 191 trabalhos.