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Folha da Região (Araçatuba, SP) online

Projeto capacita profissionais para atender idosos

Publicado em 01 abril 2003

Por Karenine Miracelly - Da Redação
Os idosos de Araçatuba que dependem dos serviços prestados pelo PSF (Programa Saúde da Família) e pelas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) vão ter um atendimento diferenciado. Os funcionários que trabalham na rede pública de saúde estão passando por um treinamento oferecido pelo projeto "Sábio e saudável - uma nova visão da terceira idade", viabilizado por uma parceria entre a Prefeitura, a FOA (Faculdade de Odontologia de Araçatuba) e a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). O treinamento é realizado durante três dias da semana, no Ciop (Centro de Integração de Odontologia/Psicologia). A Fapesp financia e fornece subsídios técnicos para o projeto que faz parte da linha especial de pesquisa da instituição, que trabalha com as políticas públicas. O projeto desenvolvido em Araçatuba está na fase inicial. Se a Fapesp aprovar o trabalho que está sendo feito, o projeto será ampliado e poderá treinar todos os profissionais da saúde pública da cidade, durante dois anos. De acordo com o diretor do PSF e das UBSs, Glenn Wood Silva, cerca de 600 profissionais poderão passar pelo treinamento, entre médicos, enfermeiros, agentes comunitários de saúde e toda a equipe de apoio ao trabalho realizado nas UBSs. Por enquanto, somente os profissionais das UBSs do Jardim TV e do bairro São José estão fazendo o treinamento. Essas UBSs foram escolhidas porque atendem uma parcela grande da população, o que serviria para dar uma amostra dos benefícios que o projeto pode trazer. O coordenador do projeto, Renato Salviato Fajardo, que também é professor da FOA, explica que o treinamento dura 12 horas. Os profissionais são divididos em turmas. As atividades envolvem palestras, dinâmicas de grupo, vídeos e entrevistas que focalizam a importância do atendimento mais humanizado para a saúde do idoso. O treinamento conta com a participação de geriatras e psicólogos. Fajardo afirma que o principal objetivo do treinamento é incentivar o fortalecimento do vínculo entre o profissional e o paciente e favorecer a qualidade de vida do idoso. Por isso, os profissionais da saúde são treinados a trabalhar a reinserção social, a sexualidade e o rompimento de tabus e preconceitos que muitas vezes prejudicam o atendimento aos idosos. Em 2002, a SSHP (Secretaria de Saúde e Higiene Pública) levantou que existem 19.886 idosos vivendo em Araçatuba. De acordo com Fajardo, o índice da terceira idade na cidade é superior ao encontrado em todo o Brasil. No município, 11,6% da população é idosa, enquanto no Brasil esse número é de 8,4%. HUMANIZAR ATENDIMENTO É PROPOSTA DE ENTIDADE A humanização do atendido é uma proposta defendida pela OMS (Organização Mundial de Saúde) desde 1946. Para a organização, a saúde do idoso e de qualquer outro paciente não deve ser encarada pelos profissionais como a simples ausência de doença: a OMS defende que a saúde seja entendida como o bem-estar físico, mental e social do indivíduo. O coordenador do projeto, Renato Salviato Fajardo, afirma que, durante o treinamento, os profissionais da saúde são orientados a cuidar do idoso como gostariam de ser cuidados. "A responsabilidade da equipe vai além das intervenções tecnológicas e farmacológicas exigidas por qualquer tratamento", explica. "Todos pensam em viver bastante e é fundamental respeitar aqueles que já conseguiram essa conquista." O diretor do PSF, Glenn Wood da Silva, ressalta que os idosos têm mais dificuldade de falar, expor o que sentem, ouvir as explicações médicas e entender as causas e conseqüências de uma doença. "Por causa disso, se o atendimento não for adequado, os idosos se transformam em um grupo de riscos", diz. "Muitas vezes, o atendimento nas UBSs deixa a desejar porque não consegue receber um idoso bem e nem entender seu perfil." Para Silva, a cultura ocidental trata naturalmente o idoso como uma pessoa inconveniente, dependente e relegada a segundo plano. "O treinamento vai possibilitar que o profissional da saúde mude esse conceito e trate o idoso de uma forma holística", acredita. A enfermeira do PSF Regina Kuniko Sasake Sato, que atende famílias dos bairros Rosele e Parque Industrial, faz parte da primeira turma do projeto. "Estou aprendendo a entender melhor o que o idoso pensa, seus medos e sua capacidade", conta. Para Benedita Pinto Pimentel, 67 anos, moradora do Jardim Amizade, o projeto já está transformando o atendimento na UBS do Jardim TV. "Sinto que eles têm mais atenção e acho que vai melhorar mais", acredita a idosa, que tem diabetes e precisa de atendimento constante.