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Universia Brasil

Projeto Caminho de Volta, da USP, completa dois anos

Publicado em 02 outubro 2006

Por Eduardo Geraque, Agência FAPESP

Fapesp

O trabalho realizado nos últimos dois anos por uma equipe do Departamento de Medicina Legal da Universidade de São Paulo (USP) mostra sua importância com os primeiros resultados. Os exames de DNA feitos pelo Programa Projeto Caminho de Volta já resolveram pelo menos um caso de desaparecimento de crianças em São Paulo, ainda que o final não tenha sido o esperado pelos pais.
"Em setembro identificamos o primeiro caso positivo. O material genético coletado de um dos cadáveres que deram entrada no Instituto Médico Legal (IML) cruzou com o de um casal que estava no nosso banco de dados", explica a bióloga Cintia Friedman, professora do Departamento de Medicina Legal da USP e responsável pelo banco de DNA organizado pelo projeto nos últimos dois anos, que conta com registros de 375 famílias.
Segundo Cintia, o material genético dos pais é obtido apenas com o consentimento desses. A abordagem é feita quando as famílias vão à polícia fazer o boletim de ocorrência do sumiço de seus filhos. A coleta é rápida, feita por meio de um furo na ponta do dedo, como nos exames para diabetes. Além da obtenção do material genético dos pais, está disponível o acesso, para os interessados, a tratamento psicológico.
"As famílias são submetidas a um questionário estruturado. A intenção, nesse caso, é saber o motivo que levou a criança a deixar o lar", explica Cintia. As estatísticas indicam que 70% dos menores de 18 anos desaparecidos, principalmente adolescentes, fugiram de casa propositalmente. "Normalmente, essas atitudes estão ligadas com abuso sexual, violência ou alcoolismo em casa. Os pais, depois da primeira entrevista, podem fazer mais três retornos em centros de atendimento localizados próximos da residência", disse.
Atualmente, o programa feito por meio de um convênio entre a USP e órgãos de Segurança Pública do Estado de São Paulo faz o rastreamento dos casos registrados em 18 delegacias paulistas, entre capital e interior. As informações sobre as crianças são mais difíceis de obter. Até agora, seja por meio do IML ou dos abrigos infantis, foram incluídos dados de apenas 60 crianças. "A maioria estava morta. No caso dos abrigos, fazemos o registro apenas daquelas com pais desconhecidos", disse Cintia.
O banco de DNA do Projeto Caminho de Volta é o primeiro do país voltado para a busca de crianças desaparecidas. Mas a iniciativa de fazer uma espécie de exame de paternidade no sentido inverso está inserida dentro de um programa nacional. "Nossa intenção é trabalhar para que exista um grande banco nacional de amostras. Assim, será muito maior a possibilidade de as crianças encontrarem o caminho de volta", disse Cintia.