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O Imparcial (Presidente Prudente, SP)

Projeto avalia dosagem de cal em ração

Publicado em 07 julho 2006

Pesquisadores do Pólo Regional da Alta Paulista da Secretária de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, em Adamantina, desenvolvendo um projeto de pesquisa que avalia o valor nutritivo da cana-de-açúcar trata da com óxido de cálcio ou hidróxido de cálcio, a cal microprocessada; para uso na alimentação de animais ruminantes. De acordo com o coordenador do projeto; Acyr Wanderley de Paula Freitas, 32 anos, a iniciativa se deu a partir de questionamento sobre a má utilização da cal por parte dos criadores. Freitas fala que o projeto será desenvolvido para verificar a dose ideal para a mistura do produto à cana picada, assim como o tempo necessário para a reação do alimento.
A previsão é de que os experimentos sejam implantados até o final do mês de julho. A proposta foi aprovada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e os pesquisadores aguardam envio de verbas, estimadas em R$ 130 mil, para o início dos experimentos. Os testes serão realizados na sede da unidade de Adamantina, que possui um rebanho com 104 bovinos e 60 ovinos, disponíveis para a pesquisa. "Vamos construir uma área de confinamento no local onde, em média, serão utilizados seis animais para cada tipo de tratamento a ser testado", destaca a coordenador.
Feitas relata que idéia surgiu em agosto do ano passado, em um dia de campo sobre alimentos para ruminante. "Apresentei uma palestra sobre cana-de-açúcar e percebi que os produtores tinham mui tas dúvidas sobre a utilização da cal microprocessada, que deve ser aprovada pelo Ministério da Agricultura. Teoricamente, a cal melhoraria o valor nutritivo da cana para o animal. Estaremos investigando se com menos alimento será possível fornecer a mesma quantidade de energia," explica.
Participam ainda do projeto os pesquisadores Jailson Lara Fagundes, do Pólo Regional da Alta Paulista, Fabiana Maldonado, do Pólo Regional do Noroeste Paulista, a professora de nutrição animal de ruminantes da Universidade Estadual Paulista(Unesp) de Dracena, Fernanda Cipriano Rocha, e o zootecnista Ricardo da Fonseca, também da Unesp de Dracena.
O coordenador do projeto ressalta que a alimentação básica dos ruminantes se dá através da pastagem. No entanto, no período de entressafra, o tempo seco, característico do inverno, faz com que as condições das pastagens não sejam favoráveis para o consumo dos animais, o que preocupa os pecuaristas. A cana-de-açúcar surge como uma opção vantajosa por ser um alimento rico em energia, pela alta produtividade, por estar disponível no período de seca e,alem disso, poder ser suplementada com nutrientes essenciais como proteínas e minerais "Nesta época, os animais acabam perdendo peso e diminuem a quantidade de leite, por isso é preciso complementar a alimentação com a cana e a utilização da cal e mais uma tecnologia para o produtor".
Freitas conta ainda que após ser cortada, a cana-de-açúcar fervermenta com muita facilidade, sendo necessário o corte diário do produto "Adicionada a cal, teoricamente, a cana, já picada, pode ficar ate dois dias armazenada em local coberto Isso facilita a mão-de-obra do produtor".
O pesquisador aponta que as expectativas são as melhores "Queremos divulgar para os produtores da região os melhores resultados e os tratamentos para sanar as duvidas que existem no setor".
O projeto esta previsto para se iniciar no fim deste mês e, de acordo com o coordenador, até o fim do ano será possível avaliar os melhores tratamentos. "Na pratica só começaremos a aplicar projeto a partir da próxima safra, onde trabalharemos diretamente com os animais", relata.

Cuidado especial
O pecuarista devera ficar atento ao tipo de cal recomendado, pois dependendo da origem da rocha calcaria, a composição química poderá ser diferente em termos de oxido de cálcio e de óxido de magnésio, alem de conter outras substâncias que poderão ser prejudiciais ao bovino leiteiro ou de corte Conforme o pesquisador, a cal microprocessada ou micropulverizada e um produto de origem mineral, que passa por um processo industrial e adquire aparência de matéria refinada. "É um produto totalmente diferente da cal virgem utilizada em construção", esclarece Freitas. Ele aponta que muitos produtores, por falta de informação ou por orientações equivocadas, acabam realizando o processo de maneira inadequada. "O projeto analisara o tempo correto para reação da cana junto a cal e assim poderemos avaliar o tratamento mais adequado".

Etapas
O projeto será dividido em duas fases. Na primeira etapa serão realizados diversos testes com doses variadas de cal microprocessada na cana de açúcar picada, com diferentes tempos de reação. O pesquisador orienta que na seqüência, testes em laboratórios vão avaliar a qualidade nutritiva da mistura para os animais. Já na segunda etapa, os dois tratamentos com melhores resultados em qualidade nutritiva serão selecionados. Será avaliado o consumo, a digestibilidade e o desempenho em bovinos e ovinos a partir do novo tratamento. "A partir disso poderemos comprovar o valor nutritivo do alimento para os ruminantes e atender a demanda regional dos produtores que nos procuram diariamente", frisa