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Jornal Brasil

Projeto apoiado pela FAPESP recebe o Prêmio Kurt Politzer de Tecnologia

Publicado em 17 dezembro 2015

Vanderlan da Silva Bolzani, do Instituto de Química (IQ) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Araraquara e membro da coordenação do Programa BIOTA FAPESP, Maria Luiza Zeirak, também do IQ/Unesp, e João Batista Calixto, diretor-presidente do Centro de Inovação e Ensaios Pré-Clínicos (CIEnP), em Florianópolis, Santa Catarina, foram vencedores da edição 2015 do Prêmio Kurt Politzer de Tecnologia na categoria Pesquisador.

Conferido pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), o prêmio tem como objetivo estimular a pesquisa e a inovação na área química no País reconhecendo projetos que demonstrem “inventividade e criatividade” de empresas e pesquisadores.

O projeto premiado, Utilização sustentável da polpa dos frutos do umbu e umbu-cajá: Produtos naturais fenólicos de alto valor agregado para a indústria de cosmético com propriedades antienvelhecimento, é resultado de parceria da Unesp com a Universidade de Genebra. A pesquisa foi iniciada em 2001 no âmbito da tese de pós-doutorado de Zeirak com o apoio da FAPESP.

Foram exploradas atividades antioxidante e anti-inflamatórias de diversas substâncias derivadas de dezenas de frutos com vistas a seu potencial uso na indústria de cosméticos e de alimentos. “Fizemos um perfil metabólico e identificamos várias atividades interessantes, como substratos fenólicos antioxidantes e inibidores da acetilcolinesterase”, exemplificou Bolzani, coordenadora da pesquisa.

Em 2013, já com um pedido de patente depositado, a pesquisa foi incorporada à carteira de projetos do Centro de Pesquisa e Inovação em Biodiversidade e Fármacos (CIBFar), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) da FAPESP.

Ante evidências preliminares de propriedades antioxidantes obtidas por meio de ensaios enzimáticos em laboratório e isoladas as substâncias com potencial de uso em cosméticos, era preciso testar a segurança do produto em células humanas da pele. A toxicidade foi avaliada no âmbito de uma parceria com o CIEnP, uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) criada há dois anos pelos governos federal e de Santa Catarina, equipado para realizar ensaios não clínico de alta qualidade para a validação de moléculas de origem sintética, biológicas, fitomedicamentosas e outras.

“O acordo prevê participação igual das partes nos resultados”, afirma o diretor-presidente do Centro. Os resultados foram positivos para os efeitos antioxidante e o CIEnP e a Unesp buscam parceiros na indústria interessados em levar o produto ao mercado.

Foi a primeira parceria do Centro com uma universidade e o primeiro teste de conceito com produto da biodiversidade brasileira. O resultado foi positivo e uma nova parceria com o CIBFar já está em curso, adianta Calixto.

Na mesma edição do Prêmio Kurt Politzer de Tecnologia, na categoria Empresa, foi contemplada a Oxiteno e o Instituto Nacional de Tecnologia (INT) pelo desenvolvimento do processo para “Produção biocatalítica de ésteres”.

O processo de produção premiado consiste numa especialidade química usada na formulação de produtos de higiene pessoal e cosméticos. Desenvolvido a partir de projeto no âmbito da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) pela sua Unidade INT, o trabalho também foi objeto de depósito de patente no último dia 3 de dezembro.

Na categoria Startup foi contemplada a Ipol Nanotecnologia pelo projeto “Polímeros de alto desempenho aditivados com nanomateriais de carbono.”

Fonte Agência FAPESP