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IDEC

Projeção sobre o sistema de saúde brasileiro preocupa

Publicado em 26 abril 2006

Agência FAPESP
A projeção do funcionamento do sistema de saúde brasileiro para 2025, feita pelo médico e economista Marcos Bosi Ferraz, do Centro Paulista de Economia da Saúde (CPES) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), prevê que a qualidade desse serviço público será ainda pior.
Segundo a pesquisa, que será publicada em breve, mantidas as taxas de crescimento econômico atuais (algo próximo dos 3% ao ano) e a excessiva concentração de renda (cálculos do IBGE para 2004 indicam que 77,1% da população ganha até cinco salários mínimos) o País terá de aumentar bastante seus gastos para manter, minimamente, o funcionamento do setor. Os quase 8% gastos do Produto Interno Bruto (PIB) hoje, que em 2004 foram de R$ 1,9 bilhão, terão de passar para 12%.
Mesmo que os governos consigam elevar os investimentos com saúde pelas próximas duas décadas, isso não significa que a qualidade do sistema será necessariamente melhor. Mantida a renda atual do brasileiro, os gastos médios mensais com saúde, em relação ao orçamento doméstico, subirá dos atuais 5,35% para 14%. Para Ferraz, essa relação diferente no orçamento das famílias poderá provocar uma grave crise no setor privado de saúde.
Não bastasse essa maior quantidade de clientes no sistema público de saúde, como mostra a pesquisa, o crescimento populacional do Brasil também deve ser considerado. As projeções populacionais do IBGE mostram que apenas em 2062 o País atingirá o chamado crescimento zero, ou seja, o número de mortes será igual ao de nascimentos. Quando esse empate demográfico ocorrer a população brasileira deverá ter ultrapassado os 263 milhões.

Possíveis soluções
Para tentar alterar essa projeção sobre o sistema de saúde público do Brasil, explicou o pesquisador, algumas medidas podem ser tomadas. O PIB do Brasil precisa crescer, pelo menos, 5% ao ano. E a renda média, também no mesmo período, 0,5%. Inflação sob controle também faz parte dessa receita.
Segundo Ferraz, também deve ser considerada a qualidade dos gastos feitos no setor de saúde. "Não existe informação disponível sobre esse item. Existem relatos que mostram que quanto menos estruturado for o sistema, e com maior nível de incentivos perversos, maior deve ser o desperdício", conclui.