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Folha Dirigida

Programas de Iniciação Científica antecipam primeiros contatos com as pesquisas

Publicado em 16 junho 2008

Antes mesmo de enfrentar a pós-graduação, os estudantes podem ter o primeiro contato com a pesquisa. Isso porque, os interessados em seguir esse rumo podem conhecer o ambiente cientifico ainda na graduação, através dos programas de iniciação cientifica. Esta experiência pode contribuir não só para a formação de um futuro pesquisador ou docente, mas também para um aprofundamento na área em que os estudantes pretende atuar.

Além disso, as instituições de ensino, geralmente, ofertam bolsas e descontos no valor das mensalidades para os participantes. Também é possível conseguir bolsas para desenvolver atividades de iniciação cientifica nas a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico (CNPq) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). No CNPq, por exemplo, a bolsa para a iniciação cientifica é de R$ 300 e na Fapesp, de R$ 424,80.

No desenvolvimento de uma pesquisa, o aprendizado se dá de forma muito diferente de como acontece de sala de aula. Tanto devido à relação entre aluno e professor, quanto 'pela maneira como é obtido o conhecimento. Durante o desenvolvimento do projeto, a convivência do aluno com o orientador é intensa. Segundo Maria Angélica Miglini, coordenadora do núcleo de iniciação cientifica da Universidade de São Paulo (USP), essa intensidade pode fazer com o que o aluno aprenda até mais que em uma sala de aula. “A relação entre aluno e professor é muito mais próxima. O aluno conhece o professor que, muitas vezes, na sala de aula tem problemas em transmitir o conhecimento e, num ambiente informal, pode transmitir melhor o que sabe”, exemplifica.

Além disso, ao pesquisar, o estudante aprende como seguir as etapas do método cientifico e conhece as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), o que contribui para que mais tarde ele faça um mestrado e até mesmo para que siga na área da pesquisa. “Quando se entra em um mestrado, metade do caminho de metodologia você já sabe. Na iniciação cientifica há uma orientação intensiva do professor. Na pós-graduação, o aluno tem que se virar para aprender mais”, explica Maria Augusta Pisani, coordenadora de iniciação cientifica do Centro Universitário Belas Artes.

Apesar de agregar muitos conhecimentos aos estudantes que participam do projeto, a iniciação cientifica não é válida como estágio. No entanto, ela é um diferencial no currículo. “O estágio é uma coisa profissional, em que o estudante fará um serviço direcional do mercado; já a pesquisa é acadêmica. O estágio tudo mundo tem. A pesquia é um diferencial”, acredita a professora da Bela Artes.

Há também a oportunidade de participar da iniciação cientifica ainda no ensino médio. Isso porque algumas agências de fomento contam com programas de iniciação cientifica júnior. No caso do CNPq, por exemplo, os estudantes que participam da ação recebem bolsa de R$ 100.

Seleção

Para participar da iniciação cientifica o interessado precisa se inscrever para o processo seletivo, que se dá por entrevista com os professores. Em algumas instituições, a seleção pode acontecer através de apresentação de projeto. Essa oportunidade é oferecida a estudantes de todas as áreas, que não estejam cumprindo dependência, que tenham um bom desempenho e interesse na área da pesquisa.

Segundo Maria Angélica, os alunos que decidem por participar de projetos de pesquisa querem aprender mais e de uma maneira diferente. “O aluno que busca a iniciação cientifica quer ser mais participativo, acredita na ciência e na tecnologia como forma de evolução do conhecimento e  sabe que a Universidade é o lugar para formar recursos humanos de mais alta competência e, conseqüentemente, produzir coisas novas”, acredita.

A professora da USP revela que em um questionário aplicado aos alunos egressos dos programas de iniciação cientifica todos apontaram ter aprendido mais fazendo a pesquisa do que nos anos de faculdade. “Todos os alunos responderam que a iniciação cientifica foi o grande diferencial de sua vida profissional”, acrescenta.

A experiência de uma iniciação cientifica é muito enriquecedora. Por essa razão, as coordenadoras aconselham que os estudantes não devem perder essa oportunidade. “A pesquisa hoje é uma experiência que só pode ser realizada durante a graduação e os alunos que descobrirem isso em tempo vão ter um diferencial”, conclui Maria Augusta Pisani.

Serviço

CNPq – www.cnpq.br

Fapesp – www.fapesp.br

Capes – www.capes.gov.br